República Democrática do Congo tem mais de mil novos casos de ebola em 10 dias
Surto da doença começou no fim de abril e já se estendeu para a Uganda
O governo da República Democrática do Congo elevou, nesta segunda-feira, o número de mortes por ebola para 1.405, Em apenas dez dias, o número de infecções aumentou em mais de mil, o que sugere um ritmo acelerado de contágio.
A quantidade total de casos confirmados desde o início do surto de propagação do vírus, em abril deste ano, já chegou a 3.200. De acordo com o último boletim emitido pelo Ministério da Comunicação e Mídia congolês, que analisou informações recolhidas até o dia 25 de julho, atualmente, a taxa de mortalidade do ebola é de 43,9%.
Há, ainda, 773 pessoas em “isolamento ou hospitalização” por ebola, além dos 571 pacientes que já se recuperaram da doença. Entretanto, especialistas acreditam em uma subnotificação dos casos – ou seja, um grande número de infecções ainda não foi contabilizado.
A epidemia atual concentra a maior quantidade de casos no leste do país, região conhecida pelos mais de 30 anos de conflitos armados constantes. O epicentro da crise está em Ituri, província que reúne mais de 90% dos casos e faz fronteira com o Sudão do Sul e Uganda. Outros locais atingidos pelo ebola são as províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo.
O surto acabou se estendendo para a Uganda, por causa da proximidade do país com Ituri. No dia 16 de julho, no entanto, a Uganda deu alta ao último paciente infectado pelo vírus, depois de 20 pessoas terem sido hospitalizadas devido à doença. Para declarar o fim do surto, porém, ainda é preciso que o país fique 42 dias sem registrar novas infecções.
Nova variante
O grande problema deste surto é ser causado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado. A resposta das equipes de saúde também enfrenta obstáculos impostos pelos conflitos armados no leste do país, deslocamentos populacionais, ataques a unidades de saúde e escassez de recursos financeiros e de profissionais.
A comparação com o maior surto de ebola da história ajuda a dimensionar o risco. Entre 2014 e 2016, a epidemia que começou na África Ocidental atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa, mas teve reflexos em dez países ao todo, incluindo Nigéria, Mali, Senegal, Estados Unidos, Espanha, Itália e Reino Unido, em decorrência de casos importados e da infecção de profissionais de saúde. Ao longo de cerca de dois anos, foram registrados 28.616 casos e 11.310 mortes, tornando-se a mais grave epidemia de ebola já documentada. Na ocasião, embora o vírus tenha chegado a outros continentes por meio de viajantes infectados, as cadeias de transmissão foram rapidamente interrompidas e não houve disseminação sustentada fora da África.
Desde então, a República Democrática do Congo registrou diversos surtos menores, mas o atual preocupa pela velocidade inédita de crescimento. A OMS considera elevado o risco regional, mas avalia que, no momento, o risco de disseminação global permanece baixo, principalmente porque o ebola exige contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas para ser transmitido.







