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Repressão policial em protesto deixa três mortos no Barein

Na véspera, o regime decretou estado de emergência por três meses no reino

Por Da Redação 16 mar 2011, 08h47

Pelo menos três manifestantes morreram e dezenas ficaram feridos nesta quarta-feira no Barein, durante uma ação policial na praça da Pérola, em Manama. Um policial, ferido no dia anterior, não resistiu e morreu no hospital. As autoridades do Barein anunciaram nesta quarta-feira o fechamento da Bolsa de Valores, das escolas e das universidades em consequência do estado de emergência decretado na véspera. Também impuseram um toque de recolher em algumas regiões do país, que se estenderá por 12 horas.

De acordo com Halil Marzuk, deputado do movimento xiita Al Wefaq, as forças de segurança usaram munição real com a “intenção deliberada de matar manifestantes”. O deputado também acusou a polícia de bloquear o acesso a vários hospitais e de cercar o principal centro médico da capital. Ali Al Aswad, outro deputado do Al Wefaq, afirmou que as forças oficiais foram mobilizadas em várias localidades xiitas nos arredores de Manama, onde aconteceram confrontos.

Na manhã desta quarta-feira, centenas de policiais tomaram o controle da praça da Pérola, após uma ação contra os manifestantes, em sua maioria xiitas. Poucas horas depois, as forças de segurança entraram no distrito financeiro de Manama e liberaram as ruas que os manifestantes haviam bloqueado com barricadas, segundo testemunhas.

Segundo o ministério do Interior, o policial atropelado na véspera por uma manifestante não resistiu aos ferimentos e morreu nesta manhã. “Um policial, atropelado intencionalmente na terça-feira por um veículo em Sitra (sul de Manama) faleceu nesta quarta”, indicou um comunicado do ministério. É o segundo policial morto nas mesmas circunstâncias em dois dias.

Toque de recolher – A decisão consta em um comunicado das Forças de Defesa reproduzido pela agência oficial BNA, no qual também se proíbem as manifestações no país, de 760 quilômetros quadrados e apenas um milhão de habitantes. O texto informa que, a partir desta quarta-feira “e até um novo aviso”, o toque de recolher regerá desde as 16 horas no horário local (10 horas de Brasília) em várias regiões do país que foram palco de uma série de protestos políticos desde 14 de fevereiro.

O toque de recolher inclui a praça Pérola, palco das principais manifestações, que primeiro foi ocupada por ativistas da oposição, depois tomada pelo Exército e novamente voltou a concentrar os protestos opositores. A ordem militar também estabelece a proibição de manifestações em todo o reino, a fim de trazer a “normalidade” às ruas de Manama e das principais cidades do país. Além disso, pede a colaboração dos cidadãos para que se cumpram as ordens.

Na terça-feira, o rei Hamad Ben Isa al Khalifa decretou estado de emergência por três meses, um dia depois da chegada de tropas do Golfo para ajudar o regime a enfrentar uma onda de protestos sem precedentes.

(Com agências France-Presse e EFE)

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