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Renúncia de Berlusconi abre nova era na política italiana

Por Da Redação 13 nov 2011, 18h38

Carmen Postigo.

Roma, 13 nov (EFE).- A renúncia de Silvio Berlusconi ao cargo de primeiro-ministro e a escolha do neoliberal Mario Monti para formar um novo governo na Itália pode pôr fim a uma era, na qual os privilégios de uma classe e a crise econômica e administrativa faziam parte da política do país.

O alerta à Itália sobre sua situação, tanto no plano econômico como no político, veio de outros países europeus, devido à incapacidade de reação de Berlusconi. Na Europa, havia muita desconfiança em relação ao premiê, que entrou com maioria no Parlamento e contou com grande popularidade até que seus escândalos sexuais o fizeram perder todos os apoios.

Sempre de acordo com a União Europeia (UE), o presidente da República Giorgio Napolitano foi o gestor da transição política, que sugeriu o nome do prestigiado economista italiano Mario Monti para liderar um governo tecnocrata que realize as profundas reformas de das quais o país precisa, por ter uma dívida pública de 120% do PIB.

As reformas exigidas pela UE ao governo italiano, contidas na chamada ‘maxi emenda’, além de tardias e mornas, são insuficientes para frear a crise financeira que debilita o país, disse à Agência Efe o analista econômico Franco Scaramuzzi.

‘Gastamos mais do que podíamos porque o sistema do país é extremamente caro, já que os gigantescos obsoletos setores público e administrativo, nos quais há duplicidade de entes e organismos, ficam com grande parte dos impostos e, portanto, gasta-se mais do que se investe’, disse.

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Segundo Scaramuzzi, o Estado tem enorme presença nos setores produtivos mais estratégicos, criando assim grande vinculação de interesses. Berlusconi limitou-se a seguir uma política estabelecida nos anos 1980, nunca gerou fortes mudanças, e também na oposição – sustenta Scaramuzzi – há muita demagogia na hora de se colocar em acordo quanto aos temas sociais.

Em uma visão radicalmente oposta à dos tradicionais partidos políticos italianos está Mario Monti, a quem os próprios analistas tacham de anti-italiano e de anglo-saxão, por seu estilo ponderado.

Monti já falou com bastante seriedade de sua missão: ‘Não nego, temos um trabalho enorme pela frente. A Europa e a comunidade internacional pedem à Itália que faça o que qualquer país deveria fazer por si só, ou seja, crescer’, disse.

Para o ex-comissário europeu, não deve haver ‘muitas divergências intelectuais’, em relação aos intermináveis debates parlamentares sobre cada uma das propostas econômicas do governo. ‘O crescimento, que talvez representa, com a dívida, o primeiro problema da Itália, é o elemento que com maior força marca, em anos, a distância que nos separa dos países mais fortes da UE, e em primeiro lugar da Alemanha’.

Monti deixou claro qual deve ser o principal foco do desenvolvimento: ‘O crescimento não deve se utilizar do recurso da dívida, mas da eliminação dos obstáculos que até agora nos frearam’. Segundo ele, são necessárias ‘reformas estruturais para eliminar os privilégios que hoje têm quase todas as categorias sociais’.

De acordo com o neoliberal que tomará o lugar de Berlusconi, é necessária um maior envolvimento do país no eixo franco-alemão contra a crise, o que segundo ele é de interesse de todos, sobretudo da Itália. Caso se tornem realidade as intenções de Monti, elas abririam uma nova era na modernização política e econômica do país. EFE

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