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Relatórios vazados mostram erros da China no combate à Covid-19

Os documentos não possuem evidências de acorbertamento proposital, mas apontam diversas falhas no gerenciamento da crise que podem ter piorado a situação

Por Da Redação Atualizado em 1 fev 2021, 12h46 - Publicado em 1 dez 2020, 15h14

Documentos sobre a condução da resposta da China à pandemia de coronavírus mostraram que, apesar das eficientes técnicas de combate ao vírus empregadas pelo governo de Pequim, os médicos sofreram com testes falhos e falta de infraestrutura, o que acabou por subnotificar a cifra de casos nas primeiras semanas da crise de saúde.

Os relatórios trazem à tona o que aconteceu nos bastidores da pandemia na província de Hubei entre outubro de 2019 e abril de 2020. Eles mostram um sistema de saúde inflexivel e cheio de burocracia, além de falta de equipamentos e um padrão de falhas institucionais, segundo a emissora americana CNN, que teve acesso aos documentos. 

Em um dos documentos, as autoridades de Hubei listam, ao todo, 5.918 casos detectados no dia 10 de fevereiro. No mesmo dia, porém, o país divulgou publicamente o registro de 2.467 casos de coronavírus, a metade do que apontava o relatório. Outro relatório diz que um único caso de Covid-19 podia demorar até 23 dias para ser diagnosticado. 

Os Estados Unidos chegaram a acusar a China de subnotificar os casos de forma premedidata, mas, segundo a CNN, os documentos não dão sinal de que o governo chinês escondeu a gravidade de forma intencional. Os relatórios mostram que houve falha na gestão e confusão com os números, apesar de, publicamente, Pequim exaltar sua resposta à crise.

Os documentos também mostram o despreparo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Hubei. No início da crise, os testes tinham taxas de 30% a 50% de falsos negativos em pacientes já diagnosticados com Covid-19. A classificação dos pacientes pelos médicos não era feita de forma clara. O país demorou semanas até conseguir normalizar a situação, enquanto, publicamente, negava todos os problemas de infraestrutura.

A província de Hubei também passava por uma epidemia de gripe, o que ajudou a saturar os centros médicos já sobrecarregados.  Ao todo, a China contabiliza 86.542 casos e 4.634 mortes de forma oficial. Na província de Hubei, são três casos ativos, todos na cidade de Wuhan.

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