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Relatório mostra que clero belga cometeu mais de 1.000 abusos em 4 anos

Mais de 1.000 pessoas denunciaram entre 2012 e 2015 ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos belgas, revela um relatório publicado nesta segunda-feira. O estudo, realizado por Manu Keirse, ex-professor da Universidade Católica de Louvain e presidente da Comissão Interdiocesana para a Proteção de Crianças e Jovens, informa que nesses anos as autoridades eclesiásticas pagaram 3,9 milhões de euros (mais de 18 milhões de reais) às vítimas dos abusos. O texto ainda enumera as iniciativas adotadas pela Igreja belga para tratar essas denúncias. A Igreja Católica da Bélgica e o Vaticano não comentaram o relatório.

De acordo com o documento, mais de 400 vítimas denunciaram os abusos através dos onze pontos de amparo criados para ajudar essas pessoas, enquanto mais de 600 fizeram isso por meio do Centro de Arbitragem criado a pedido da Comissão Especial do Parlamento Federal para tratar do tema. O relatório lembra que para os fatos que não prescreveram, é oferecida assistência às pessoas que pretendem apresentar uma denúncia na Justiça.

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Em 2010, o parlamento e a Igreja Católica da Bélgica decidiram criar um Centro de Arbitragem após a revelação de que 450 crianças e adolescentes que tinham sofrido violações nas últimas décadas e não tinham denunciado. A maior parte dos casos prescreveu, mas foram pagas indenizações. Centenas de pessoas receberam desde 2.500 euros (mais de 10.000 reais) por “atentados ao pudor” cometidos sem violência ou ameaças, até 25.000 euros (mais de 100.000 reais) por violações e abusos graves.

(Da redação)