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Reino Unido busca 250.000 voluntários para ajudar o serviço de saúde

'Estamos em pé de guerra, como se estivéssemos cavando trincheiras', diz enfermeira de hospital-escola de Anger, na França, onde número de leitos é limitado

Por Da Redação - 24 mar 2020, 18h43

O governo do Reino Unido procura 250.000 voluntários para ajudar o Serviço Nacional de Saúde (NHS), equivalente britânico ao Sistema Único de Saúde (SUS), para atender as pessoas vulneráveis à epidemia do novo-coronavírus (SARS-CoV-2). O país, que já conta com mais de 8.000 enfermos e pelo menos 422 mortos, está entre os mais atingidos pela pandemia.

“Estamos buscando um quarto de milhão de voluntários, com boa saúde, para ajudar o Serviço Nacional de Saúde, fazer compras, entregar remédios e apoiar aqueles que estão isolados para proteger sua própria saúde”, anunciou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, nesta terça-feira, 24.

Apenas na Inglaterra, um dos países que compõem o Reino Unido, pelo menos 1,5 milhão de pessoas envolvendo as que sofrem de doenças respiratórias e de câncer, as que passaram por transplante de órgãos, dentre outros casos — foram notificadas pelo governo britânico para permanecer em isolamento em casa a partir da segunda-feira 23 por serem consideradas vulneráveis à Covid-19, doença causada ao novo coronavírus.

Hancock também afirmou que o NHS convocará estudantes de Enfermagem e de Medicina os segundos apenas em seu último ano de faculdade — para a “linha de frente”. Medida semelhante já havia sido tomada na Itália onde, foram reportados quase 70.000 enfermos desde o início do surto e mais de 6.800 mortos, com base em estimativa do jornal italiano Corriere della Sera.

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No Reino Unido, de acordo com o jornal britânico The Guardian, foram reportados 8.077 enfermos, dentre eles 1.427 apenas nesta terça-feira, e 422 mortes. Mais de 80% dos casos confirmados estão na Inglaterra, que responde por quase 85% da população britânica.

Na próxima semana, será aberto um novo hospital temporário no centro de exposições Excel, em Londres, para tratar até 4 mil pessoas. “O hospital será composto por duas enfermarias, cada uma para 2 mil pessoas. Com a ajuda dos militares e dos médicos do NHS, garantiremos a capacidade de que precisamos para que todos possam obter o apoio de que precisam”, explicou Hancock.

Cavando trincheiras

Do outro lado do Canal da Mancha, foram reportados mais de 22.000 casos e 1.100 mortes na França, segundo o jornal Le Monde, e a preocupação com o número limitado de leitos também existe.

O hospital-escola de Anger armazenou aventais cirúrgicos, máscaras e gel antisséptico reformulou as escalas dos profissionais de saúde, com aumento nas jornadas de trabalho. Até agora, só três dos 24 leitos de UTI estão ocupados por pacientes de coronavírus. “Estamos em pé de guerra, como se estivéssemos cavando trincheiras”, disse Emmanuelle Dubourg Davy, enfermeira de uma unidade de tratamento intensivo do hospital-escola de Anger.

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No leste francês, no entorno de Estrasburgo e Mulhouse, cenário do segundo maior surto depois da região de Paris, as UTIs já estão sobrecarregadas. O Exército está montando um hospital de campanha e transferindo pacientes para outras cidades.

Em toda a Europa, a pandemia está submetendo os sistemas de saúde pública a um estresse inédito, especialmente na Itália e na Espanha. Agora que a espiral de infecções está subindo e as fatalidades disparando, a França é a próxima da fila, e o Reino Unido parece estar só alguns dias atrás.

(Com Reuters)

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