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Regime sírio, sob pressão internacional, nega autoria de massacre de Hula

Por Da Redação - 27 maio 2012, 14h23

O regime sírio assegurou neste domingo que não está por trás do massacre de Hula, no qual quase 100 pessoas morreram, enquanto a comunidade internacional intensifica sua pressão sobre Damasco, para onde se dirigirá na segunda-feira seu emissário Kofi Annan.

Após um intenso bombardeio que os insurgentes atribuem ao regime de Bashar al-Assad, os observadores mobilizados pelas Nações Unidas na Síria contabilizaram em Hula 92 cadáveres, 32 dos quais de crianças com menos de 10 anos.

Sem dar sua opinião sobre os autores do massacre, o chefe dos observadores da ONU na Síria, o general Robert Mood, confirmou que ocorreram disparos com armamento pesado provenientes dos tanques.

“Negamos totalmente qualquer responsabilidade do governo neste massacre terrorista”, declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, acrescentando que as autoridades sírias vão abrir uma investigação.

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O emissário internacional Kofi Annan chegará à Síria na segunda-feira em uma tentativa desesperada de salvar seu plano de paz, que previa uma trégua que entrou em vigor no dia 12 de abril, mas que não foi respeitada.

Para o Exército Sírio Livre (ESL), composto essencialmente por desetores, “a menos que o Conselho de Segurança da ONU tome decisões urgentemente para proteger os civis, o plano de Annan vai para o inferno”.

Por sua vez, o líder opositor Burhan Ghaliun convocou neste domingo o povo a travar uma “batalha de libertação” contra o regime de Assad até que a ONU decida agir “sob o capítulo 7”, que permite uma intervenção militar.

Em Hula, os habitantes culparam a ONU por este massacre e criticaram os observadores que se aproximaram do local da tragédia, segundo vídeos divulgados na internet.

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“Havia crianças de menos de oito meses! O que fizeram? Carregavam, por acaso, lança-foguetes?”, gritava um homem a um observador, visivelmente incomodado.

Outro vídeo mostrava uma fossa comum na qual foram depositadas dezenas de cadáveres envolvidos em lençóis brancos, alguns manchados de sangue.

“Matam-nos e o mundo segue de braços cruzados. Vão ao diabo com seu plano” Annan, gritava um homem em outro vídeo divulgado na internet.

Neste domingo, foram registrados violentos combates na cidade de Hama, no centro do país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres. O OSDH também estimou que pelo menos 11 pessoas morreram em atos de violência na Síria neste domingo.

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Segundo a ONG, mais de 13.000 pessoas, a maioria civis, morreram violentamente desde o início da revolta contra o regime de Assad.

A comunidade internacional condenou de forma unânime o massacre.

Londres pediu “uma resposta internacional firme”, enquanto o Kuwait, presidente atual da Liga Árabe, quer convocar uma reunião de urgência do bloco para acabar com a “opressão do povo sírio”.

A ONU, que marcou para a tarde deste domingo uma reunião de seu Conselho de Segurança para tratar do tema, considerou a tragédia de Hula uma violação “espantosa e terrível” do direito internacional e dos “compromissos do governo sírio de parar de recorrer a armas pesadas”.

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A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, condenou o “atroz” massacre e afirmou que o reinado “dos crimes e do medo deve terminar”.

Neste domingo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assegurou que o massacre mostra a urgência de “encontrar uma solução para o conflito” e “não pode permanecer sem castigo”.

Segundo o The New York Times deste domingo, os Estados Unidos planejam se aliar à Rússia para produzir um plano de saída para a crise da Síria. De acordo com o jornal, Washington quer propor um plano de transição similar ao que propiciou em fevereiro a saída do presidente iemenita Ali Abdullah Saleh do poder após 33 anos no comando do país.

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