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Regime sírio, sob pressão internacional, nega autoria de massacre de Hula

Por Da Redação - 27 maio 2012, 10h16

O regime sírio assegurou neste domingo que não está por trás do massacre de Hula, no qual quase 100 pessoas morreram, enquanto a comunidade internacional intensifica sua pressão sobre Damasco, para onde se dirigirá na segunda-feira seu emissário Kofi Annan, em uma tentativa extrema de salvar seu plano de paz.

“Negamos totalmente qualquer responsabilidade do governo neste massacre terrorista que teve por alvo habitantes” de Hula, no centro do país, declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, dois dias após o ataque.

Segundo o responsável, as autoridades sírias vão abrir uma investigação para esclarecer as circunstâncias das mortes, mas Makdissi já adiantou que as tropas governamentais só agiram “em legítima defesa” diante de “centenas de homens armados (…) com armamento pesado, morteiros e metralhadoras”.

Apos um intenso bombardeio que os insurgentes atribuem ao regime de Bashar al-Assad, os observadores mobilizados pelas Nações Unidas na Síria contabilizaram em Hula 92 cadáveres, dos quais 32 eram de crianças com menos de 10 anos.

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As imagens dos cadáveres das crianças comoveram o mundo inteiro.

O emissário internacional Kofi Annan chegará à Síria na segunda-feira em uma tentativa desesperada de salvar seu plano de paz, que previa uma trégua que entrou em vigor no dia 12 de abril, mas que não foi respeitada. O massacre de Hula, o mais sangrento desde a teórica aplicação deste cessar-fogo, desferiu um golpe mortal ao plano de paz.

O Exército Sírio Livre (ESL), composto essencialmente por desetores, anunciou que não respeitará as diretrizes de Annan se a ONU não encontrar uma forma de colocar um ponto final à repressão.

“A menos que o Conselho de Segurança da ONU tome decisões urgentemente para proteger os civis, o plano de Annan vai para o inferno”, afirmaram seus porta-vozes.

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A comunidade internacional condenou de forma unânime e firme o massacre de Hula, mas não soube tomar até agora medidas concretas para impedir que se repita, o que aumentou a raiva dos sírios, que veem que o mundo é incapaz de por um fim a este banho de sangue que já dura 14 meses.

Londres pediu “uma resposta internacional firme” e uma reunião de emergência do Conselho de Segurança nos próximos dias, enquanto o Kuwait, presidente atual da Liga Árabe, quer convocar uma reunião de urgência do bloco para acabar com a “opressão do povo sírio”.

A ONU considerou a tragédia de Hula uma violação “espantosa e terrível” do direito internacional e dos “compromissos do governo sírio de parar de recorrer a armas pesadas”.

Sem dar sua opinião sobre os autores do massacre, o chefe dos observadores da ONU na Síria, o general Robert Mood, confirmou que ocorreram disparos com armamento pesado a partir dos tanques.

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A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, condenou o “atroz” massacre e afirmou que o reinado “dos crimes e do medo deve terminar”.

Neste domingo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assegurou que o massacre mostra a urgência de “encontrar uma solução para o conflito” e “não pode permanecer sem castigo”.

Em Hula, os habitantes culpam a ONU por este massacre e criticaram os observadores que se aproximaram do local da tragédia, segundo vídeos divulgados na internet.

“Havia crianças de menos de oito meses! O que fizeram? Carregavam, por acaso, lança-foguetes?”, gritava um homem a um observador, visivelmente incomodado.

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Outro vídeo mostrava uma fossa comum na qual foram depositadas dezenas de cadáveres envolvidos em lençóis brancos, alguns manchados de sangue.

“Matam-nos e o mundo segue de braços cruzados. Vão ao diabo com seu plano” Annan, gritava um homem em outro vídeo divulgado na internet.

O ESL pediu novamente no sábado à comunidade internacional que realize “ataques aéreos” contra o regime, uma ideia que provoca reticências entre as potências mundiais.

Neste domingo, foram registrados violentos combates na cidade de Hama, no centro do país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

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Durante a noite, o exército bombardeou a cidade de Rastan (centro), onde a insurgência resiste há meses diante das forças governamentais.

Segundo o OSDH, mais de 13.000 pessoas, a maioria civis, morreram violentamente desde o início da revolta contra o regime de Assad.

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