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Região dos EUA tem a pior mortalidade por Covid do mundo. Entenda

Dakota do Norte tem o maior índice per capita de óbitos por coronavírus, 18,2/milhão de habitantes, enquanto Dakota do Sul fica em terceiro, com 17,4

Por Amanda Péchy Atualizado em 1 dez 2020, 15h09 - Publicado em 1 dez 2020, 15h01

Nos últimos dois meses, o coronavírus invadiu o interior dos Estados Unidos. Condados rurais e cidades de médio porte no Meio-Oeste são os principais responsáveis pelo crescimento vertiginoso da taxa de infecção no país, cuja média móvel de casos é mais de 160.000 por dia. Aos poucos, a pequena região da Dakota do Norte e Dakota do Sul – com uma população combinada de pouco mais de 1,5 milhão de pessoas – tornou-se um dos terrenos mais propícios para a disseminação da Covid-19 em todo o mundo.

Segundo levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins, 43% dos testes para a doença feitos na Dakota do Sul têm resultados positivos. A taxa é uma das mais altas do país. Para efeito de comparação, no estado de Nova York, onde a população chega a quase 20 milhões de habitantes, 3% dos testes feitos são positivos para a Covid-19.

Enquanto isso, a Dakota do Norte tem a maior taxa de mortalidade per capita por coronavírus do mundo. Segundo uma análise da Federação de Cientistas Americanos, o estado tem 18,2 mortes por milhão de pessoas. Dakota do Sul está em terceiro lugar no ranking, com 17,4 mortes por milhão de pessoas. A proporção é mais alta que a de vários países inteiros, como Portugal, Reino Unido e Argentina.

“Sentimento de negação”

As comunidades rurais tornaram-se mais vulneráveis porque suas populações acreditaram estarem isoladas da pandemia, supostamente concentrada em grandes centros urbanos, de acordo com o jornal britânico The Financial Times. Além disso, muitos prefeitos e governadores do interior do país foram contra restrições para conter a propagação do vírus.

A republicana Kristi Noem, governadora da Dakota do Sul e apoiadora de Donald Trump, ignorou as recomendações de saúde pública ao permitir em agosto um rally de motocicletas que durou 10 dias, atraindo quase meio milhão de pessoas. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs), agência de saúde do governo americano, a responsabilizaram pelo pico de infecções em todo o Meio-Oeste do país.

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No dia 4 de julho, o estado também foi palco para um evento do presidente Trump no Monte Rushmore. Mesmo com milhares de apoiadores presentes, Noem deixou claro que o distanciamento social e as máscaras não eram necessários.

O democrata Andrew Cuomo, governador de Nova York, afirmou que a população das Dakotas alimentava um “sentimento de negação, de que eram imunes a isso, não vai acontecer o mesmo que em Nova York ou Nova Jersey”, enquanto se expunha ao vírus em eventos, supermercados e igrejas.

“O maior desafio”

Segundo o Financial Times, médicos dizem que o atual padrão de infecções da Covid-19 no Meio-Oeste dos Estados Unidos tem basicamente a mesma aparência do de grandes cidades no início do ano. Contudo, pode vir a ser até pior, já que desde antes da pandemia as áreas rurais sofrem falta crônica de médicos, enfermeiros e equipamentos de hospitais.

Como muitos profissionais da saúde se deslocaram para Nova York no início do ano, quando a cidade era o epicentro da pandemia, a falta de pessoal se intensificou. Em um relatório recente, Eric Toner, pesquisador do Centro para Segurança da Saúde da Johns Hopkins, disse que os recursos humanos são “o maior desafio” com a progressão da pandemia.

Alguns pacientes das Dakotas estão sendo transferidos para outros estados, como Utah, para tratamento, e o governador da Dakota do Norte, o republicano Doug Burgum, permitiu que enfermeiros e enfermeiras infectados com Covid-19, mas assintomáticos, continuassem trabalhando.

Mesmo com os números alarmantes, a região de tendência libertária permanece relutante em relação a restrições. Em Sioux Falls, cidade mais populosa da Dakota do Sul, uma tentativa de tornar obrigatório o uso de máscaras foi frustrada pelo conselho municipal, enquanto a governadora continua a resistir à ideia. Na Dakota do Norte, Burgum assinou a obrigatoriedade apenas no dia 13 de novembro, mas o assessório raramente é adotado.

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