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Refugiado relata “normalidade” em área bombardeada da Síria

Anas Obaid, de 30 anos, vive no Brasil há cerca de três anos e contatou familiares que moram a cerca de 10 quilômetros de um dos alvos do ataque

Por André Siqueira - Atualizado em 30 jul 2020, 20h22 - Publicado em 14 abr 2018, 19h52

Um refugiado sírio no Brasil relatou um clima de normalidade no país após os ataques aéreos dos Estados Unidos a unidades militares do governo de Bashar al-Assad. Segundo o relato de Anas Obaid, o bombardeio foi bastante cirúrgico e, até o momento, não há registros de vítimas ou implicações na infraestrutura.

Anas, jornalista de 30 anos, está no Brasil há dois anos e oito meses e conta que a casa de seus familiares fica a cerca de 10 km de distância de um dos alvos norte-americanos. Em contato com os familiares, ele relata que as explosões deixaram a população apreensiva. ”Por conta do horário, as pessoas estavam dormindo, então acordaram muito assustadas”, conta.

Sobre as consequências do ataque, Anas minimizou danos mais sérios. ”Não houve nada muito complicado”, disse. O sírio atribuiu a ofensiva ocidental a questões geopolíticas. ”É um acerto com o governo. Os Estados Unidos querem destruir os espaços que criam as armas químicas”, opinou. Os ataques atingiram um centro de pesquisa científica com uma pista de decolagem de aviação localizado em Damasco, capital síria, uma instalação de armazenamento de armas químicas em Homs, onde supostamente estaria a reserva de gás Sarin do regime do ditador Bashar al-Assad, e outra instalação próxima e com a mesma função, que continha também um posto de comando da Guarda Revolucionária da Síria.

O jornalista contou, também, que sua família ficou por um ano no Brasil e que, às vésperas do bombardeio, voltou para o país natal para resolver questões pessoais. Com o cenário de ataque iminente, Anas diz ter aconselhado seus familiares a irem para o Líbano, onde um de seus primos possui residência. Por fim, revelou que seus familiares não querem morar mais na Síria, por conta da guerra civil que já dura mais de sete anos.  A ideia, segundo Anas, é se estabelecer no Líbano.

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