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Reféns mortos em Sydney são tratados como heróis

Segundo relatos, a advogada Katrina Dawson protegeu amiga grávida, e o gerente Tori Johnson morreu ao tentar pegar arma de extremista

Os dois reféns que morreram depois de ficar quase dezessete horas em poder de um homem armado em um café em Sydney tentaram proteger outros reféns e estão sendo tratados como heróis, de acordo com relatos da imprensa australiana. Katrina Dawson, uma advogada de 38 anos, e o gerente do café Tori Johnson, de 34 anos, foram homenageados nesta terça-feira por milhares de pessoas, que depositaram flores na entrada do estabelecimento.

Segundo a rede ABC Austrália, Johnson foi morto ao tentar pegar a arma de Man Haron Monis, aproveitando um momento de distração do extremista. Seis reféns aproveitaram a luta entre os dois para fugir.

A advogada Katrina, mãe de três filhos, morreu em meio ao tiroteio que se seguiu à invasão policial. Segundo testemunhas, ela teria se colocado na frente de outra refém, uma amiga que estava grávida. As duas haviam se encontrado no café pouco antes de o local ser invadido. O extremista também morreu depois da invasão.

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Nesta terça-feira, em uma missa em homenagem às vítimas na catedral de Sydney, o arcebispo Anthony Fisher declarou que Katrina e Johnson eram heróis e “sacrificaram suas vidas para que outros pudessem viver”.

Três mulheres que ficaram feridas durante o cerco ainda estão hospitalizadas, entre elas, a brasileira Marcia Mikhael, de 43 anos, que sofreu ferimentos no pé. Um policial que foi atingido por um estilhaço de bala no rosto recebeu alta hoje.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro Tony Abbott disse que o extremista já era conhecido das autoridades australianas. Ele nasceu no Irã com o nome de Manteghi Bourjerdi, mudou-se para a Austrália em 1996 na condição de refugiado, adotando o novo nome. Monis se apresentava como clérigo muçulmano, mas ainda não está claro se ele é realmente uma autoridade religiosa. Ele estava em liberdade sob fiança, acusado de ser cúmplice do assassinato de sua ex-mulher.

Durante o cerco, Monis tentou associar a ação ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI). Ele chegou a pedir aos negociadores uma bandeira do grupo jihadista que semeia o terror na Síria e no Iraque e para falar com Abbott em uma transmissão ao vivo – os pedidos não foram atendidos. Os reféns, contudo, foram obrigados a exibir na janela do café uma bandeira com a inscrição da shahada, “Alá é único e Maomé é seu profeta”, uma expressão de fé comum ao mundo islâmico, que foi cooptada por grupos jihadistas.