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Reféns das Farc serão libertados em 30 de abril

Colômbia, Brasil e CICV participarão da operação que libertará dez militares e policiais que estão em poder do grupo narcoterrorista há 14 anos

Os responsáveis pela realização da operação de libertação dos dez militares e policiais que estão em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmaram neste sábado que o início do resgate começará em 30 de março, embora o grupo narcoterrorista ainda não tenha aceitado oficialmente a data. A iniciativa foi ratificada durante um novo encontro de trabalho entre representantes dos governos da Colômbia, do Brasil e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), responsável pela coordenação e logística da operação.

“Seguimos trabalhando com a data de 30 de março, de acordo com o cronograma estabelecido”, disse Jorge Enrique Bedoya, vice-ministro de Defesa da Colômbia, na saída da reunião, realizada na sede do CIVC em Bogotá. As partes envolvidas chegaram nesta quinta-feira à conclusão de que não era possível iniciar as libertações em 26 de março, data fixada inicialmente pelas Farc.

O novo calendário foi anunciado pelo chefe da delegação do CICV em Bogotá, Jordi Raich, e pela ex-congressista Piedad Córdoba, líder do movimento Colombianas e Colombianos pela Paz (CCP). No passado, as Farc entregaram 15 reféns para esse coletivo.

“Com certeza o governo da Colômbia fez todo o possível, da mesma maneira que o governo do Brasil e o CICV, para que o resgate se torne uma realidade”, declarou o Bedoya, responsável pelos assuntos políticos e internacionais da pasta. Na reunião deste sábado, as partes continuaram “afinando assuntos de caráter logístico, de maneira que os dez militares e policiais possam retornar a seus lares o mais rápido possível”, acrescentou o vice-ministro.

Bedoya frisou que o resgate só poderá começar em 30 de março se as Farc entregarem antes das 19 horas local (24h GMT) as coordenadas para que seja possível definir uma área de suspensão de ações militares, medida acertada num protocolo de segurança para a entrega dos reféns. Os prisioneiros são os militares Luis Alfonso Beltrán Franco, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín e Luis Alfredo Moreno Chagüeza, e os policiais Carlos José Duarte, César Augusto Lasso Monsalve, Jorge Trujillo Solarte, Jorge Humberto Romero, José Libardo Forero e Wilson Rojas Medina.

Para cumprir o calendário também é indispensável que os helicópteros que o Brasil fornecerá para as operações cheguem no dia 29 à cidade de Villavicencio. O aeroporto desta localidade foi escolhido como base para as aeronaves.

A participação de uma nação estrangeira (neste caso, o Brasil) é uma das exigências das Farc para a libertação dos dez reféns, que estão sob poder do grupo há quatorze anos. Eles deverão ser entregues para uma delegação de mulheres ativistas da Colômbia e do exterior.

A princípio, farão parte desse grupo Piedad e Marleny Orjuela, presidente da Associação Colombiana de Parentes Familiares de Membros da Polícia Retidos e Libertados por Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz), que pediu que as Farc aceitem a mudança da data. “Exortamos para que os senhores (as Farc) aceitem a data de 30 de março de 2012 como o início da libertação de nossos entes queridos”, pediu a Asfamipaz em comunicado.

A mudança, segundo admitiu a associação, é necessária para garantir que a operação seja realizada com segurança e responsabilidade. Sem a aprovação da nova data por parte das Farc, Bedoya disse que o governo está pronto para realizar o resgate antes do dia 30, mas com aeronaves colombianas, sejam elas militares ou privadas, algo que os rebeldes nunca aceitaram.

(Com agência EFE)