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Reconciliação palestina: Abbas dirigirá governo de transição

Os movimentos palestinos rivais Fatah e Hamas chegaram nesta segunda-feira a um acordo para dar ao presidente Mahmud Abbas a direção de um governo de transição encarregado de organizar eleições, superando um grande obstáculo para a aplicação de seu acordo de reconciliação.

Este acordo foi alcançado ao final de reuniões entre Abbas, presidente da Autoridade Palestina e chefe da Organização pela Libertação da Palestina (OLP) e do Fatah, e Khaled Mechaal, chefe do Hamas islamita, no Qatar, envolvido na reconciliação entre palestinos.

“A declaração de Doha” prevê “a formação de um governo de conciliação nacional dirigido pelo presidente Mahmud Abbas e formado por tecnocratas independentes para facilitar a realização de eleições presidenciais e legislativas e iniciar a reconstrução da Faixa de Gaza”.

O texto foi assinado por Abbas e Mechaal na presença do emir do Qatar, xeque Hamad ben Khalifa al-Thani, durante uma cerimônia transmitida ao vivo.

A formação do governo provisório será anunciada durante uma reunião da OLP no dia 18 de fevereiro no Cairo, indicou à AFP Azzam al-Ahmad, responsável pela questão da reconciliação no Fatah.

A “declaração de Doha” não indica a data para a realização de eleições, inicialmente previstas para 4 de maio de 2012, em virtude do acordo de reconciliação concluído no Cairo pelo Fatah e o Hamas no dia 27 de abril de 2011, assinado em 3 de maio acompanhado por todos os movimentos palestinos.

Ahmad indicou que a data dessas primeiras eleições desde a vitória do Hamas nas legislativas de 2006 será estabelecida depois, confirmando seu provável adiamento.

“A data oficial das eleições será fixada com uma recomendação da Comissão Eleitoral e, depois, com a promulgação de um decreto do presidente”, explicou.

O primeiro-ministro da Autoridade, Salam Fayyad, saudou “a declaração de Doha e manifestou a esperança de uma aplicação rápida de suas cláusulas”.

O chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, em viagem pela região, “confirmou que seu governo estava prestes a aplicar o acordo”.

A reconciliação estava estagnada há meses, em razão principalmente de um impasse sobre a escolha do chefe de governo, para o qual Abbas apoiava Fayyad, muito apreciado pela comunidade internacional, mas recusado pelo Hamas.

As duas partes estão igualmente convencidas a respeito da “manutenção do processo de reestruturação da OLP”, representante dos palestinos no cenário internacional, a fim de integrar o Hamas e a Jihad Islâmica.

Neste contexto, e ao mesmo tempo em que as eleições presidencial e legislativas nos territórios palestinos, o Conselho Nacional Palestino (CNP, Parlamento da OLP) deverá ser reestruturado, segundo o texto. Essa instância, que teve a sua última reunião em 1998, deverá incluir principalmente representantes do Hamas.

“Assinamos este acordo para que ele seja aplicado, trate-se de eleições, do governo ou da reconciliação”, assegurou Abbas.

“Somos extremamente sérios”, insistiu Mechaal, acrescentando que o acordo permitirá aos palestinos “dedicar todas as forças para enfrentar o inimigo”.

Em relação ao caso dos prisioneiros em dois campos, o presidente Abbas anunciou “a libertação de 64 prisioneiros” do Hamas.

“Nossos irmãos palestinos não têm outra escolha que não seja a de ir mais longe na obtenção de sua unidade nacional”, frisou o emir do Qatar, garantindo o apoio dos países árabes.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda que Mahmud Abbas deve escolher entre a reconciliação com o Hamas e o “caminho da paz” com Israel.

“Se Abu Mazen (Mahmud Abbas) aplicar o que assinou em Doha, está escolhendo abandonar o caminho da paz pelo Hamas”, declarou Netanyahu, citado em um comunicado de seu gabinete.