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Rebelião tuaregue mantém ofensiva no Mali, apesar de golpe militar

Um dia depois do golpe de Estado que derrubou o regime do presidente malinense Amadou Toumani Touré, a rebelião tuaregue anunciou nesta sexta-feira que continuará sua “ofensiva”, enquanto aumentavam os pedidos na África e no mundo pela ordem constitucional.

A rebelião tuaregue – que provocou indiretamente o golpe de Estado realizado por soldados descontentes com a falta de meios para combatê-la – indicou que continuará sua “ofensiva” em uma zona onde atuam também grupos islamitas.

Em um comunicado publicado em seu site, o Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (MNLA) afirmou que espera continuar atuando “para retirar o Exército malinense e sua administração de todas as cidades do Azawad” (norte), um reduto dos tuaregues.

A rebelião que controla várias localidades do nordeste do Mali, indica ter assumido o controle de um novo centro no norte do país, “a cidade de Anefis, situada no centro da estrada nacional Gao-Kidal”.

O capitão Amadou Sanogo, chefe da junta que tomou o poder, disse à AFP que os dirigentes do governo derrubado estão “sãos e salvos” e serão “entregues à justiça malinense”, apesar de não ter dado indicação alguma sobre o local onde está Touré.

A União Africana (UA) suspendeu o Mali nesta sexta-feira até que seja restabelecida a ordem constitucional no país e decidiu enviar uma missão à capital Bamaco para pressionar os militares golpistas, indicou uma fonte oficial.

“O Conselho (de paz e segurança da UA) decidiu que o Mali ficará suspenso da participação em todas as atividades (da organização) até o restabelecimento efetivo da ordem constitucional”, declarou à imprensa o diplomata nigeriano Paul Zolo, que presidiu uma reunião extraordinária dedicada a Mali em Adís Abeba, sede da UA.

“Uma delegação está prestes a ir ao Mali, uma missão conjunta da UA e da CEDEAO (Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental)”, acrescentou o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, no fim da reunião.

Os Estados Unidos alertaram nesta sexta-feira que cerca de 70 milhões de dólares em ajuda militar e econômica previstos para o Mali correm risco de serem suspensos, se os líderes do golpe de Estado não restaurarem a ordem constitucional.

“Qualquer assistência americana ao governo do Mali que não tenha um propósito humanitário está em risco, se o país não voltar à situação democrática”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

A União Europeia (UE) “condenou com firmeza” as “tentativas de tomada do poder pela força no Mali” e pediu o “fim imediato da violência e a libertação dos responsáveis do Estado”, o “retorno a um governo civil e a realização de eleições democráticas, como estava previsto”.

Várias eleições estavam programadas em 2012 em Mali, entre elas uma presidencial e um referendo constitucional, no dia 29 de abril.

A UE, um dos principais sócios do Mali, também decidiu “suspender temporariamente as operações de desenvolvimento”, à exceção da ajuda humanitária.

As condenações se somam às manifestadas por diversas nações, entre elas as dos vizinhos Argélia, Níger e Mauritânia, onde as repercussões da crise foram bastante sentidas.

A guerra no norte malinense provocou o deslocamento de mais de 200 mil pessoas, e o Alto Comissário da ONU para os Refugiados (Acnur) indicou que “acompanha de perto da situação”.

Os vizinhos do Mali também estão envolvidos na luta contra as atividades da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (Aqmi), que têm bases no norte malinense de onde opera na faixa entre o Sahel e o Saara. A Mauritânia realiza regularmente operações contra o Aqmi no território malinense.

O Mali tem enfrentado, desde meados de janeiro, ataques do MNLA e de outros rebeldes tuaregues, entre eles homens fortemente armados que combateram a favor do regime de Muamar Khadafi na Líbia.