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Rebelião líbia completa cem dias exigindo renúncia de Kadafi

Nesta segunda-feira, presidente sul-africano chega ao país para oferecer 'estratégia de saída' ao ditador

Por Da Redação 29 Maio 2011, 15h03

A insurgência líbia, que completa 100 dias neste domingo, voltou a insistir que a renúncia de Muamar Kadafi é condição inegociável para solucionar o conflito no país, enquanto o presidente sul-africano, Jacob Zuma, está a caminho de Trípoli para apresentar ao ditador uma “estratégia de saída”. “Passados 100 dias do começo desta revolução abençoada, vemos vitórias a nível nacional e internacional”, comemorou em um comunicado o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão dirigente da rebelião), Mustafa Abdeljalil.

“Temos que celebrar o que nossos filhos heróicos fizeram em Misrata e nas montanhas de Nefusa”, afirmou, referindo-se aos dois enclaves da oposição situados a leste e a sudoeste de Trípoli, que há semanas resistem às tropas leais ao regime. “Da mesma forma, temos que aplaudir o amplo apoio internacional à nossa revolução”, que começou em fevereiro em Benghazi e Al-Baida, a leste, após a derrubada dos regimes vizinhos no Egito e na Tunísia.

Um mês depois, uma coalizão internacional, agindo sob um mandato das Nações Unidas, lançou uma campanha de ataques aéreos, que ainda continua, contra Kadafi, sob o pretexto de proteger a população civil. Entretanto, à medida que a operação militar avança no tempo e o ditador parece decidido a não abandonar o poder – que mantém há 42 anos -, a solução aponta cada vez mais por um rumo diplomático, e não militar.

A Rússia, tradicional aliado de Trípoli, surpreendeu na sexta-feira ao declarar, durante a cúpula do G8 em Deauville, França, que se unia às potências ocidentais na opinião de que Muamar Kadafi deve mesmo sair. “Gostaria de saudar a posição adotada pelo G8”, disse Abdeljalil, insistindo que “nenhuma negociação é possível antes da renúncia (de Kadafi) e de seu regime”.

O presidente sul-africano Jacob Zuma deve se reunir na segunda-feira com o ditador, para discutir com ele uma estratégia de saída honrosa. Para o governo, porém, nenhuma mediação é possível, a não ser a da União Africana (UA), que já apresentou um “mapa do caminho” aceito pelo regime, mas rejeitado pelo CNT. Ao mesmo tempo, o governo líbio rejeitou a proposta de mediação feita por Moscou na sexta-feira, alegando que não aceitará nada que deixe de lado o plano de paz elaborado pela UA.

Enquanto isso, os combates continuam. O bairro de Bab Al Aziziya, onde fica o complexo residencial de Kadafi, foi alvo no sábado de mais bombardeios da coalizão – que, segundo a Otan, foram dirigidos contra um centro de comando e controle.

(Com agência AFP)

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