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Rebeldes tomam aeroporto militar no Norte da Síria

Na fronteira com a Turquia, um micro-ônibus explodiu matando 14 pessoas

Os rebeldes sírios assumiram nesta terça-feira o controle de um aeroporto militar na província de Alepo (Norte da Síria) e apreenderam munições depois de capturar 40 soldados, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Segundo a ativista Wed Al-Hayat, que mora em Alepo, a Frente Islâmica Síria foi a responsável pela operação.

Entenda o caso

  1. • Durante a onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o governo do ditador Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes enfrentam forte repressão pelas forças de segurança. O conflito já deixou dezenas de milhares de mortos no país, de acordo com levantamentos feitos pela ONU.
  3. • Em junho de 2012, o chefe das forças de paz das Nações Unidas, Herve Ladsous, afirmou pela primeira vez que o conflito na Síria já configurava uma guerra civil.
  4. • Dois meses depois, Kofi Annan, mediador internacional para a Síria, renunciou à missão por não ter obtido sucesso no cargo. Ele foi sucedido por Lakhdar Brahimi, que também não tem conseguido avanços.

“O restante das tropas se retirou do aeroporto, abandonando vários aviões de combate e grande quantidade de munição”, disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, para quem a situação demonstra que o exército do ditador Bashar Assad “não pode controlar toda a Síria”.

A Frente Islâmica Síria reúne vários grupos islamitas como as Brigadas dos Livres de Sham, o Movimento Islâmico al-Fajr, a Brigada Mesab bin Omer e Al Talia. A revolta contra Assad tem um matiz sectário, contrapondo rebeldes majoritariamente sunitas contra um Exército comandado por membros da seita minoritária alauíta, de Assad.

Na segunda-feira, os insurgentes tomaram o controle da cidade de Tabqa, na província de Raqa. “Os rebeldes progridem muito rápido nesta região”, destacou Abdel Rahman. “Apesar do exército controlar completamente zonas da província de Damasco, a capital e a província central de Hama, ele sofre perdas importantes nas províncias de Homs (centro), Deir Ezor no leste, assim como em Alepo e Raqa no norte”, afirmou.

Operação – Enquanto isso, em Deir al Zor, no Leste do país, os rebeldes sírios iniciaram uma grande operação para assumir o controle da estratégica cidade, depois de expulsar as forças governamentais de áreas petrolíferas ao redor. Caso capturem essa cidade, os rebeldes controlarão uma província inteira pela primeira vez em 22 meses de rebelião contra o ditador Bashar Assad.

Ibrahim Abu Baker, líder da poderosa brigada Al Qadisiyah, disse que sua força rebelde, junto com combatentes de outros países árabes e com militantes islâmicos do grupo Jabhat al Nusra, haviam cercado Deir al Zor por quatro lados durante os preparativos para a operação. “O interior está liberado, o que resta da província de Deir al Zor é a cidade propriamente dita”, afirmou.

Turquia – Na fronteira entre Turquia e Síria, um micro-ônibus explodiu, matando ao menos 14 pesssoas. “Temos as imagens das câmeras de segurança e é certo que o veículo chegou da Síria, mas não conseguiu atravessar o posto de controle turco”, afirmou o vice-primeiro-ministro da Turquia, Besir Atalay em entrevista coletiva transmitida ao vivo pela emissora NTV.

A explosão do veículo aconteceu na segunda-feira, pouco antes das 11h de Brasília, na passagem fronteiriça de Cilvegözü, perto de Reyhanli, na província turca de Hatay, em uma das estradas mais movimentadas entre a Turquia e Aleppo.

“Foi um ato terrorista. Estamos investigando várias alternativas, provavelmente foi organizado por um sírio”, disse o ministro turco do Interior, Muammer Guler.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), um grupo de oposição no exílio, disse que a explosão aconteceu quando uma delegação da organização deveria atravessar a passarela fronteiriça, voltando da cidade de Alepo. Para o CNS, ‘ferramentas do governo sírio’ realizaram o atentado, em referência a grupos armados que ajudam as tropas de Assad a combater os rebeldes.

Já a polícia turca está focando as investigações em três pessoas que foram vistas saindo do veículo pouco antes da explosão. Uma delas fugiu para a Turquia.

(Com agências France-Presse e Reuters)