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Rebeldes preparam ataque a foco de resistência pró-Kadafi

Cidade onde vive tribo leal ao ditador está cercada - e processo de rendição dos defensores do regime falhou. O CNT já teria localizado paradeiro do coronel

Por Da Redação 4 set 2011, 15h40

Fracassaram, neste domingo, as negociações entre as forças do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia e as tropas leais ao ditador deposto Muamar Kadafi, na cidade de Bani Walid. Agora, os rebeldes se preparam para atacar o reduto pró-regime. A informação foi confirmada pelo chefe dos negociadores do novo governo líbio. “Deixo para nosso comandante militar a solução do problema”, disse Abdallah Kenchil aos jornalistas, sobre um eventual ataque à região, que fica a 140 quilômetros ao sudeste da capital, Trípoli.

Os combatentes cercaram, na noite de sábado, o importante reduto de aliados do ditador e esperavam a rendição das forças pró-Kadafi. Embora pretendam evitar um conflito com os apoiadores do regime do coronel, os rebeldes já se preparam para invadir Bani Walid, que é ocupada por membros da tribo Warfala, leal ao ditador. Mais cedo, os rebeldes chegaram a afirmar que a tribo esteva dividida entre entregar suas armas aos rebeldes ou combatê-los em defesa do ditador – e que o novo governo do país acreditava na rendição. Os rebeldes deram um ultimato aos defensores de Kadafi também em Sirte, onde acredita-se que o ditador possa estar escondido. Caso contrário, enfrentarão forças militares.

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Segundo Kenchil, as forças ligadas a Kadafi queriam se apresentar à mesa de negociação com suas armas, o que não foi aceito pelos rebeldes. “Também pediram que entrássemos desarmados em Bani Walid para poder nos matar”, completou. Ainda segundo ele, dois filhos do ditador, Saadi e Muatasim, estão na cidade. “Kadafi, seus filhos e muitas pessoas ligadas a ele vieram a Bani Walid”.

Kenchil afirma que alguns partidários de Kadhafi já escaparam, mas não seus dois filhos. Combatentes locais confirmaram que várias pessoas próximas a Kadafi, incluindo Saadi, permanecem na cidade, mas o ditador já partiu. Civis que saíram no sábado disseram que muitos combatentes leais a Kadafi fugiram para as montanhas levando armas pesadas, e que Bani Walid parece uma cidade fantasma, com as lojas fechadas, sem gasolina e gás.

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Segundo Mahmud Abdelaziz, porta-voz local do Conselho Nacional de Transição (CNT), “durante a noite (de sábado) as forças de Kadhafi tentaram sair” de Bani Walid, “mas nossos combatentes responderam e ocorreram pequenos confrontos que duraram alguns minutos”.

Paradeiro do ditador – Na tarde deste domingo, as forças do CNT afirmaram ter identificado o paradeiro do ditador, segundo a rede de televisão árabe Al Jazeera. Um repórter do canal divulgou a informação, atribuindo-a ao chefe do conselho militar em Trípoli, Abdul Hakim Belhadj. A rede, porém, não informou onde o coronel estaria escondido. Mais cedo o porta-voz militar dos rebeldes, Ahmed Omar Bani, confirmou a morte de Khamis Kadafi, um dos filhos do ditador deposto, em combates a 90 quilômetros ao sudoeste de Trípoli.

Em entrevista coletiva em um hotel de Benghazi, capital dos revolucionários, Beni explicou que Hamis e Mohammed al Senussi, um dos filhos do chefe dos serviços de Inteligência Militar do anterior regime, Abdullah al Senussi, morreram.

Com a confirmação da morte de Khamis e após a fuga à Argélia de três dos filhos de Kadafi, continuam em paradeiro desconhecido, além do próprio ditador, Seif al Islam, o rosto midiática do regime e o mais provável sucessor de seu pai no poder; Saadi, ex-jogador, e Mutasim, chefe do Conselho de Segurança Nacional. Bani declarou que não possui nenhuma informação sobre o paradeiro de Kadafi e lembrou que a Líbia é um país extenso com seis milhões de habitantes. “Esteve 42 anos no poder, e este homem é capaz de se disfarçar”, considerou Bani, que, no entanto, acredita que o líder foragido já está fora do país.

(Com agências EFE e France-Presse)

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