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Rebeldes líbios ganham terreno e instalam embaixadores em Londres e Paris

Por Por Florent Marcie 28 jul 2011, 16h33

Os rebeldes líbios infligiram nesta quinta-feira um duplo revés ao regime de Muamar Kadhafi, instalando seus embaixadores em Londres e Paris e conquistando duas localidades próximas à fronteira com a Tunísia, ao sudoeste de Trípoli.

Às 08h00 locais (03h00 de Brasília), os rebeldes lançaram um ataque contra a localidade de Al-Ghazaya, pelo oeste e pelo leste, onde ocorreram os confrontos mais graves, constatou a AFP.

À tarde, os rebeldes entraram a bordo de SUVs na cidade, a qual tinham bombardeado com artilharia pesada, depois que as forças leais ao coronel fugissem em diversos veículos, contou o correspondente da AFP.

Depois, os rebeldes seguiram seu caminho para o povoado de Om Al Far, nordeste da cidade, que também conquistaram.

Os rebeldes bombardearam o povoado e um dos projéteis caiu sobre um depósito de munições, que explodiu, constatou a AFP.

Foi em Al-Ghazaya, a cerca de 10 km da fronteira com a Tunísia, onde as forças de Kadhafi intensificaram ultimamente seus disparos de foguetes Grad contra Nalut, uma cidade nas mãos dos rebeldes a 230 km a oeste da capital líbia.

Há meses toda essa região montanhosa de Nefusa é palco de combates entre as forças de Kadhafi e os rebeldes, que desencadearam em julho uma ofensiva de grandes proporções com a intenção de avançar para a capital líbia.

Entretanto, a Otan mantém uma forte pressão com dezenas de ataques aéreos diários.

Os insurgentes declararam na quarta-feira que tinham feito em vão uma oferta ao coronel Kadhafi para que este deixasse o poder, com direito a ficar no país.

“O prazo acabou. A proposta já não é válida”, afirmou o líder do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos insurgentes em Benghazi), Mustafah Abdeljalil.

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Em virtude dessa oferta, Kadhafi devia abandonar o poder e o local de sua residência se fixaria em função da “eleição do povo líbio”. Também tinha ficado sob “estreita vigilância”.

França e Grã-Bretanha, assim como um responsável da rebelião, sugeriram ultimamente que Kadhafi poderia ficar na Líbia com condições, uma vez que abandonasse o poder.

No front diplomático, os rebeldes avançam frente a um Kadhafi desafiante, “disposto ao sacrifício para derrotar o inimigo”.

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, estima que o movimento da insurgência poderá levar uma geração para dar frutos.

O Reino Unido reconheceu o Conselho Nacional de Transição como único “governo legítimo” da Líbia, e o convidou na quarta-feira a se instalar na embaixada desse país em Londres, de onde foram expulsos os últimos diplomatas leais a Kadhafi.

O CNT respondeu nesta quinta-feira, nomeando embaixador na capital britânica a Mahmoud Nacua, escritor e intelectual de 74 anos.

Mahmoud Nacua “está envolvido na oposição desde os anos 1980”, explicou Guma Al-Gamaty, coordenador no Reino Unido para o CNT.

O reconhecimento por Londres do CNT foi qualificado de “irresponsável” e “ilegal” pelo vice-ministro de Relações Exterior líbio Khaled Kaaim.

Em Paris, o CNT instalou seu representante na França.

“Acabo de apresentar hoje minha carta de nomeação ao (ministério de) Relações Exteriores”, declarou Mansur Saif Al-Nasr, de 63 anos, que assegura ter sido nomeado “representante do CNT na França” em 9 de julho.

Os Estados Unidos afirmam estudar uma petição do CNT para abrir uma embaixada em Washington.

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