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Rebeldes atacam palácio presidencial no Iêmen

Ministra fala em ‘golpe’ e alerta: presidente não tem controle da situação

O Palácio Presidencial do Iêmen, na capital Sanaa, foi invadido nesta terça-feira por rebeldes xiitas houthis. Segundo a ministra da Informação, Nadia al-Sakkaf, a residência oficial do primeiro-ministro também foi atacada. Em entrevista à rede CNN, a ministra classificou a situação como “a conclusão de um golpe” e acrescentou que o presidente “não tem controle nenhum” sobre o que está acontecendo.

Há informações de que o presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi estaria na residência no momento do ataque, mas um integrante do governo afirma que ele está em segurança. Os ataques ocorrem um dia depois de confrontos entre forças do governo e houthis que deixaram nove mortos e quase setenta feridos. Os conflitos foram interrompidos na segunda-feira com um acordo de cessar-fogo que obviamente não foi respeitado.

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Os houtis pertencem a uma subdivisão xiita conhecida como Zaidismo. Minoria entre os sunitas, eles reivindicam, desde 2004, mais autonomia para a província de Saada, no norte do país. Os rebeldes consolidaram o controle de Saada durante a revolta de 2011 que derrubou o presidente Ali Abdullah Saleh.

Um líder houthi negou que os combatentes tenham invadido o palácio para tomar o controle do governo e afirmou que o objetivo era proteger o complexo de agentes de segurança que tentavam roubar armas.

Em setembro do ano passado, os rebeldes tomaram o controle da capital em uma ação que resultou em combates que deixaram mais de 300 mortos e que também foram interrompidos com um acordo de trégua com o governo.

Na última semana, as tensões voltaram a se elevar, com o anúncio do sequestro do chefe do gabinete presidencial, Ahmed bin Mubarak. O porta-voz do movimento houthi, Osama Sari, disse que Mubarak foi detido porque o presidente queria introduzir uma nova Constituição sem a aprovação da minoria. No mais recente acordo de cessar-fogo, os houthis haviam prometido deixar a capital assim que um novo governo de unidade fosse formado.

Os confrontos trazem mais uma preocupação para os Estados Unidos, que têm no Iêmen um aliado no combate à Al Qaeda – o braço da rede terrorista no país é um dos mais ativos e perigosos em atividade. Um vácuo de poder abriria ainda mais espaço para a ação dos jihadistas sunitas que reivindicaram a autoria do atentado contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo em Paris.

(Com agência Reuters)