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Reaproximação com Cuba movimenta corrida à Casa Branca

Potenciais candidatos republicanos atacam Obama; Hillary defende fim do embargo

Por Da Redação 18 dez 2014, 21h42

O plano de Barack Obama de retomar os laços diplomáticos com Cuba deu munição para potenciais candidatos do Partido Republicano à Presidência. Os oposicionistas não tardaram em atacar a medida, sinalizando que a política externa deve ganhar destaque durante a campanha de 2016.

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton emitiu um comunicado para defender a normalização das relações entre os dois países e o fim do embargo econômico. “Apesar das boas intenções, décadas dessa política de isolamento apenas serviram para fortalecer o regime dos Castro.”

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De acordo com The Wall Street Journal, a medida de Obama proporcionou aos republicanos novos argumentos para propor um endurecimento da política americana em relação à ditadura castrista. O primeiro a agarrar a oportunidade foi o senador republicano Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos que representa o Estado da Flórida. Ele atacou o movimento de reaproximação antes do discurso de Obama.

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“Esse presidente é o pior negociador que tivemos na Casa Branca”, disse Rubio. Para ele, Obama basicamente atendeu aos pedidos do governo cubano sem exigir contrapartidas em questões de democracia e liberdade.

Foco – Segundo o WSJ, a ofensiva de Rubio pode dar uma chance para que o senador se torne uma das principais vozes da oposição americana. As queixas começaram um dia depois de o ex-governador da Flórida Jeb Bush roubar os holofotes para anunciar que pretende “explorar a possibilidade de concorrer à Presidência”, ofuscando os planos de Rubio para concorrer ao cargo máximo do Executivo.

Bush, que tem laços fortes com a comunidade de exilados cubanos do seu Estado, também entrou na onda de atacar a abordagem de Obama. “Os beneficiados da medida insensata serão os hediondos irmãos Castro, que oprimiram o povo cubano por décadas”. Ele também disse que, com essa política, Obama estava novamente excedendo seus poderes executivos.

A mudança na política em relação a Cuba é mais uma das medidas unilaterais de Obama desde que os democratas perderam o controle do Senado nas eleições de novembro. Sem apoio parlamentar, ele tem recorrido a decretos para forçar mudanças em áreas como política migratória e combate ao aquecimento global.

Apesar disso, só o Congresso pode acabar com o embargo a Cuba, em vigor desde 1961, por completo. Obama espera que os decretos sejam uma forma de pressionar o Congresso a adotar uma abordagem semelhante.

Hillary – Ainda de acordo com o WSJ, as medidas de Obama podem influenciar a campanha de Hillary Clinton em 2016. A ex-secretária de Estado defendeu o embargo ao regime cubano durante sua campanha à Presidência em 2008, mas nos últimos meses deu sinais públicos de que havia mudado de ideia. Em junho, durante uma reunião do Conselho de Relações Exteriores, um think tank sediado em Nova York, ela argumentou que o embargo era usado pelo regime cubano como “bode expiatório” para seus fracassos e que as sanções eram “as melhores amigas de Castro”. Ela também defendeu a normalização das relações com a ilha.

Em seu livro de memória publicado no começo do ano, Hillary também comentou que na função de secretária de Estado ela já havia pedido para que Obama defendesse o fim do embargo.

“Esse país está pronto há algum tempo para mudar e normalizar suas relações diplomáticas. O sentimento anticastrista não é mais o foco definidor que costumava ser para os eleitores cubano-americanos da Flórida”, disse o pesquisador Geoff Garin, que trabalhou para Hillary na campanha de 2008.

E, de fato, o apoio ao embargo vem caindo entre a comunidade cubano-americana no Estado. No condado de Miami-Dade, por exemplo, ele está em 48% entre a comunidade de exilados e descentes. Em 1991 esse número era de 87%.

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