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‘Reação inapropriada da tripulação’ provocou acidente da Air France

Novo relatório afirma que tragédia poderia ter sido evitada se equipe tivesse percebido falha técnica. Acidente deixou mais de 200 mortos em junho de 2009

A tragédia do voo 447 da Air France que ia do Rio de Janeiro a Paris, em junho de 2009, aconteceu devido a “uma reação inapropriada da tripulação diante da perda momentânea das indicações de velocidade”, segundo um novo relatório apresentado à Justiça francesa. As simulações e análises “mostram claramente a predominância de fatores humanos nas causas do acidente e nos fatores que contribuíram” para a queda da aeronave, indicaram cinco especialistas responsáveis pelo levantamento. “Constatamos que o acidente poderia ter sido evitado se a tripulação tivesse tomado algumas ações apropriadas”, acrescentaram. A queda do Airbus A330 da Air France no Oceano Atlântico provocou a morte de 228 passageiros e membros da tripulação.

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O novo relatório foi solicitado pela Airbus, fabricante da aeronave, informou o jornal francês Libération, que teve acesso à análise, assim como a agência de notícias France-Presse. O jornal ressalta o contraste entre a análise mais recente e as anteriores, realizadas pela agência francesa de investigação de acidentes aeronáuticos (BEA) e por peritos. As análises precedentes dividiam a responsabilidade entre pilotos, Airbus, Air France e autoridades aéreas, enquanto o mais recente minimiza as falhas estruturais. Tanto a Air France como a Airbus respondem por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). “A Airbus insiste nas falhas da tripulação do voo Rio-Paris, enquanto os sindicatos de pilotos, a Air France e as famílias das vítimas enfatizam os vários problemas de funcionamento apontados nos relatórios precedentes”, salienta o Libération.

A nova análise coloca o foco sobre a equipe que estava no comando da aeronave, apontando catorze fatores que contribuíram para a tragédia, por ordem de importância, entre eles “a ausência de uma análise estruturada da pane”, “a má compreensão da situação” e “a divisão de tarefas na cabine que não foi aplicada de maneira rigorosa”.

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Há também uma referência à companhia aérea, lamentando a “ausência de instruções claras por parte da Air France, apesar de vários casos parecidos de congelamento das sondas Pitot e, portanto, de uma resposta insuficiente”. Anteriormente, um relatório atribuiu a responsabilidade do acidente aos pilotos, alegando que eles não haviam identificado a pane das sondas Pitot nem a perda de sustentação da aeronave. A nova análise aponta “para a formação inadequada dos pilotos na aplicação do procedimento” necessário para lidar com o problema técnico e com o comportamento do avião durante a perda da indicação de velocidade.

Um dos representantes das famílias das vítimas, Yassine Bouzrou considerou que o novo estudo está “cheio de contradições e de imprecisões”. “Os especialistas se contentam em culpar os pilotos, evitando sempre a questão central das falhas técnicas”, afirmou à AFP.