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Raúl Castro: ‘os golpes de Estado voltaram à A.Latina, mas disfarçados’

Havana, 25 jun (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou nesta segunda-feira que os golpes de Estado voltaram à América Latina, mas ‘disfarçados’, referindo-se ao recente processo de impeachment que tirou Fernando Lugo do poder no Paraguai, informa a imprensa oficial da ilha caribenha.

‘Os golpes de Estado voltaram ao continente, mas disfarçados’, afirmou o governante cubano, em declarações feitas no aeroporto de Havana onde se despediu do líder de Belarus, Aleksandr Lukashenko, que o fez uma visita, de acordo com um relatório da agência oficial ‘Prensa Latina’.

Castro disse que os últimos eventos no continente não o surpreendem, fez uma alusão ao golpe de Estado no Chile em 1973 – ‘não foi planejado nem organizado por Augusto Pinochet’ – e expressou desconfianças ante o fato de que ‘ainda não foram desclassificados os documentos que mostrariam o papel exercido pelos Estados Unidos na ocasião, mediante o então secretário de Estado, Henry Kissinger’.

‘Já naquela época, o golpe de Estado era um método tão desprestigiado que surgem outros mecanismos como os das liberdades democráticas e os certificados de boa conduta concedidos por Washington’, ironizou o líder.

Também disse que há anos ele mesmo previu, em uma conversa com seu irmão e antecessor, Fidel Castro, que os golpes de Estados voltariam à América Latina no dia em que os interesses dos Estados Unidos se vissem ameaçados no continente. ‘E voltaram, mas disfarçados’.

O general-presidente citou ainda o golpe de Estado sofrido em 2002 pelo líder venezuelano, Hugo Chávez. ‘Com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, se desesperaram e apelaram ao golpe militar. Foi destituído, mas o povo o salvou e (os golpistas) fracassaram’.

No sábado passado, em uma declaração oficial, o governo cubano condenou ‘energicamente’ o que chamou de ‘golpe de estado parlamentar’ no Paraguai contra Fernando Lugo e disse que a ilha não reconhecerá autoridade alguma ‘que não emane do sufrágio legítimo e do exercício da soberania por parte do povo paraguaio’. EFE