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Raúl Castro detalha plano para reformas econômicas

Apesar das mudanças, presidente insiste que se trata apenas de uma atualização e que as idéias de Fidel 'estão presentes em cada linha'

Por Da Redação - 15 nov 2010, 19h20

As cooperativas, hoje utilizadas na agricultura, serão aplicadas também na indústria e no setor de serviços. Serão criadas zonas especiais de desenvolvimento. Elas funcionarão como polos de produção para substituir importações e aumentar a produtividade, além de aliviar a crônica falta de bens de consumo no país

As reformas para a economia cubana começaram a ser desenhadas. A cúpula do Partido Comunista de Cuba definiu no último domingo um anteprojeto para ser discutido em seu 6º Congresso, em abril de 2011. O texto, intitulado “Projeto de alinhamento de política econômica e social”, prevê o estímulo a cooperativas, a substituição de importações e a descentralização administrativa.”Não temos outra alternativa senão aplicar estas medidas para resolver os problemas que afetam a economia”, afirmou o presidente cubano, Raúl Castro.

Apesar das mudanças, Castro insiste que as idéias de seu irmão Fidel estão presentes “em cada linha do projeto”. O ministro da Economia, Marino Murillo, também se apressou em dizer que “não há reforma, e sim uma atualização do modelo econômico, que primará pela planificação e não pelo mercado.”

As cooperativas, hoje utilizadas na agricultura, serão aplicadas também à indústria e ao setor de serviços. Serão criadas zonas especiais de desenvolvimento. Elas funcionarão como pólos de produção para substituir importações e aumentar a produtividade, além de aliviar a crônica falta de bens de consumo no país. Outro ponto discutido na reunião foi a descentralização da gestão estatal, para que governos locais não fiquem dependentes totalmente do poder central.

“Há coisas que não funcionam com fórmulas estatais. Mas a mudança deve ser feita de maneira controlada”, afirmou Murillo. Os movimentos que sinalizam uma abertura econômica começaram em setembro, quando o governo cubano anunciou a demissão de 500.000 funcionários públicos, o equivalente a 20% dos trabalhadores estatais do país. Esses funcionários serão estimulados a abrir pequenos negócios.

“Obama, como rei mago” – Em suas “Reflexões”, coluna publicada pela imprensa cubana, Fidel Castro comparou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a um “rei mago” que “anda repartindo postos” no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e cobrou que o país apoie um assento para a Brasil.

O ditador escreveu: “Obama, como rei mago, anda repartindo postos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como quem controla uma propriedade sua”. E atacou: “Já antes, no plenário parlamentar de Nova Déli, Obama tinha dito que seu governo apoiará a eventual entrada da Índia no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O que não disse é se esse posto é com ou sem direito a veto, como se esse privilégio antidemocrático fosse eterno. Igualmente se ignora se tão generoso oferecimento deveria ser feito também a Lula, apesar dos mais de 500 milhões de latino-americanos”.

Com o coração mole de ditador que se arvora em defensor de todos os países pobres, Fidel lembrou que “quase 1 bilhão de africanos não têm representação permanente nesse Conselho.”

(Com agência Reuters)

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