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Raúl abre hotel para elite local

Por Giancarlo Lepiani
31 mar 2008, 14h09

Depois de gastar quase cinco décadas bloqueando o acesso de seus cidadãos à tecnologia e ao conforto, o governo de Cuba navega em outra direção, igualmente penosa para a população. Agora, a mania do novo presidente Raúl Castro é liberar o uso dos recursos que antes eram disponíveis apenas aos estrangeiros. Na prática, porém, não muda quase nada — afinal, os preços cobrados dos visitantes são exorbitantes para os salários dos moradores comuns da ilha. Só a elite cubana deverá ser beneficiada.

Na sexta-feira, a imprensa estatal anunciou que qualquer cidadão cubano poderá ter seu próprio telefone celular. As tarifas, contudo, continuam as mesmas, com cotação em pesos conversíveis, a moeda paralela criada para uso dos turistas. Cada peso conversível vale 24 vezes um peso comum, moeda com a qual os funcionários do estado são remunerados. Nesta segunda, o governo fez um anúncio semelhante, desta vez liberando o acesso aos hotéis que antes eram reservados para os hóspedes de fora.

De acordo com funcionários dos hotéis Nacional, Valencia e Santa Isabel, em Havana, funcionários do Ministério do Turismo já comunicaram oficialmente que cidadãos da ilha podem se hospedar nesses locais a partir de meia-noite desta segunda. As diárias, porém, não mudam de preço. O salário médio mensal do trabalhador cubano é de menos de 20 dólares. A diária de uma suíte no Nacional, o cinco estrelas mais famoso de Havana, custa o equivalente a 323 dólares — ou 16 meses inteiros de salário.

O governo cubano também permitiu que os cidadãos locais paguem para usar serviços oferecidos pelos hotéis, como academias e restaurantes. Os cubanos também vão poder alugar carros nas agências que antes serviam apenas aos turistas. Em todos esses casos, porém, o problema é o mesmo: a cobrança será em peso conversível, ou seja, inacessível a quase todos os cubanos. As medidas teriam impacto apenas simbólico, já que as restrições no setor turístico irritavam muitos cubanos comuns.

Cuba incentiva a entrada de turistas estrangeiros desde o início da década de 1990. Seus hotéis de luxo e praias paradisíacas levam 2 bilhões de dólares por ano ao país — mas parte da população reclamava do “apartheid turístico” que impedia que os cubanos visitassem as áreas reservadas aos estrangeiros, como as praias de Varadero. Em entrevista à agência Reuters, o autônomo Alfredo Hernandez disse que não tem dinheiro para entrar num hotel. “Mas fico feliz em saber que tenho essa opção se quiser.”

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