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Rashford 1×0 Johnson: pressão de jogador faz governo aprovar fundo escolar

Campanha liderada pelo atacante do Manchester United levou primeiro-ministro a reautorizar programa de alimentação a crianças carentes nas férias escolares

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 16 jun 2020, 14h35 - Publicado em 16 jun 2020, 13h54

Há quem diga que esporte e política não se misturam. No Reino Unido, uma clara evidência do contrário ocorreu nesta terça-feira, 16. Uma longa carta do atacante Marcus Rashford, do Manchester United e da seleção inglesa, foi o estopim de uma campanha que levou o primeiro-ministro Boris Johnson a recuar e aprovar um fundo de 120 milhões de libras (779 milhões de reais) para fornecer alimentação a crianças carentes durante as férias escolares no país.

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A controvérsia teve início quando o governo anunciou que cortaria o benefício durante a pandemia de coronavírus. Rashford, então, escreveu uma carta pública ao Parlamento inglês no último fim de semana, na qual relembrou sua infância difícil.

“Isto não é sobre política; é sobre humanidade. Olharmo-nos ao espelho e sentirmos que fizemos tudo o que podíamos para proteger aquele que, por qualquer razão ou circunstância, não podem proteger-se. Afiliações políticas à parte, não podemos todos concordar que nenhuma criança deveria ir para a cama com fome?”, escreveu Rashford em um dos trechos da carta.

A pressão da opinião pública deu resultado e nesta manhã Johnson anunciou o que chamou de “fundo cívico de comida de verão” antes mesmo de uma votação sobre o assunto. Ele chegou a agradecer Rashford pela “contribuição ao debate sobre a pobreza”. Boa parte da imprensa local, porém, tratou o episódio como uma “derrota” do primeiro-ministro, cuja popularidade vem despencando durante a pandemia. “Boris Johnson executou uma reviravolta humilhante”, escreveu o diário The Guardian.

“Devido à pandemia de coronavírus, o primeiro-ministro entende perfeitamente que crianças e pais enfrentam uma situação totalmente sem precedentes durante o verão”, afirmou um porta-voz do governo. Questionado se os apelos de Rashford contribuíram para a mudança, o assessor disse que “respeita o fato de o jogador ter usado seu perfil como esportista para destacar questões importantes.”

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As famílias com direito a refeições escolares gratuitas receberão um voucher no valor de 15 libras por semana (equivalente a 97 reais) que podem ser gastas em supermercados, durante as seis semanas de férias.

O atacante, um dos maiores destaques do futebol inglês nos últimos anos, celebrou o ocorrido “Eu nem sei o que dizer. Olhe o podemos fazer quando nos unimos. ESTA é a Inglaterra em 2020″.  Até mesmo clubes rivais, como o Liverpool, Manchester City e Tottenham parabenizaram o jogador de 22 anos por liderar a campanha.

O líder trabalhista Keir Starmer também comemorou “outra inversão de marcha” de Boris Johnson, que há algumas semanas recuou na intenção de manter e até agravar o valor da sobretaxa de saúde aplicada aos profissionais imigrantes que trabalham no NHS, o Serviço Nacional de Saúde britânico. “Muito bem, Marcus Rashford e muitos outros que falaram tão poderosamente sobre esse assunto”, disse Starmer.

Kevin Courtney, secretário-geral da União Nacional de Educação, afirmou que “nunca deveria ter havido qualquer hesitação por parte do governo.” “As dificuldades de nosso atual sistema de benefícios e apoio àqueles que vivem na pobreza não terminarão com a contenção deste vírus. A Covid-19 é um fenômeno natural – a pobreza não é.”

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