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Rajoy quer ‘regularizar definitivamente’ o fim do grupo ETA

Conservador venceu eleições legislativas em novembro e toma posse na quarta

O conservador espanhol Mariano Rajoy manifestou nesta terça-feira sua intenção de “regularizar definitivamente” o fim do grupo terrorista ETA, que anunciou em outubro a suspensão de sua “atividade armada” e garantiu que sempre estará “do lado do estado de direito e da lei”. Esta é a primeira vez em que Rajoy fala do fim da violência da ETA, que matou mais de 800 pessoas em cinco décadas.

O discurso foi feito durante um debate parlamentar que precede sua posse como próximo primeiro-ministro espanhol, na quarta-feira, quando ocupará formalmente o cargo. Presidente do Partido Popular e vencedor das eleições legislativas espanholas de 20 de novembro, Mariano Rajoy foi oficializado nesta terça chefe de governo da Espanha, ao ser eleito com 187 votos a favor, 149 contra e 14 abstenções.

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ETA – O anúncio da organização terrorista aconteceu em 20 de outubro, um mês antes das eleições gerais que deram a vitória ao conservador Partido Popular e permitiram, após 15 anos de ausência, que a esquerda independentista basca voltasse com força ao Congresso dos Deputados da Espanha, com sete legisladores.

Após declarar que em sua memória “sempre estarão as vítimas” da ETA, o governante conservador ressaltou que considerou o comunicado do grupo como uma “boa notícia”, já que muitas pessoas pediam a suspensão de suas atividades há muitos anos.

Rajoy voltou a destacar nesta terça-feira a importância do anúncio, mas também advertiu que a ETA ainda existe e que a “tranquilidade total” dos espanhóis só ocorrerá quando “o grupo terrorista deixar de existir”. “Espero que possamos regularizar definitivamente esse assunto, contarei com vocês para concretizar essas ideias lógicas, sensatas e morais”, concluiu, em resposta aos nacionalistas bascos do PNV, que pediram a Rajoy que “aproveite essa oportunidade única” para consolidar a paz.

Independência – Já os independentistas bascos, que voltam a uma Câmara da qual estiveram ausentes após suas sucessivas campanhas eleitorais serem consideradas ilegais por sua ligação com a ETA, afirmaram a Rajoy que estão “condenados” a se entenderem. Um deles é Iñaki Antigüedad, porta-voz da coalizão Amaiur, que reúne a esquerda independentista basca, em sua estreia no Congresso dos Deputados, na segunda etapa da posse de Rajoy.

Antigüedad pediu a Rajoy que reconheça a “mudança de ciclo” que ocorreu no País Basco e insistiu que o apoio majoritário que seu partido conseguiu nessa comunidade indica que “a grande maioria” do povo basco acredita que “o conflito tem um caráter político”. O porta-voz afirmou também que os bascos não reivindicarão “a independência” na Câmara, mas deixou claro que seu partido é a favor “de um estado basco e um âmbito basco de decisão”.

Em sua réplica, Rajoy afirmou ao representante da esquerda independentista basca que não lhe devia “absolutamente nada”, recebendo aplausos do PP. “Nem eu, nem a sociedade espanhola. Nós somos os credores”, disse Rajoy.

(Com agência EFE)