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R.Unido quer que Argentina pague dívida feita antes da Guerra das Malvinas

Por Da Redação - 9 abr 2012, 12h28

Londres, 9 abr (EFE).- O Reino Unido espera que a Argentina pague uma dívida de mais de US$ 71 milhões referente a um empréstimo concedido em 1979 à Junta Militar argentina, que, por sua vez, teria usado o dinheiro para financiar parte do armamento empregado na invasão das Ilhas Malvinas, informou nesta segunda-feira o jornal ‘Financial Times’ (FT).

De acordo com o jornal, o dinheiro teria sido usado pelo governo da Argentina para formar equipes militares e comprar armamento, os mesmos que foram usados mais tarde na invasão das Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, cuja soberania ainda é motivo de disputa entre ambos os países.

A dívida foi herdada pela UK Export Finance, uma agência britânica de crédito à exportação. No entanto, um porta-voz do Ministério britânico assegurou ao jornal citado que o governo de David Cameron ‘não tem planos de perdoar essa dívida’.

Segundo o ‘Financial Times’, os bens que a Argentina comprou com o dinheiro desse empréstimo incluem dois helicópteros Lynx e dois navios de guerra do modelo Type 42.

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Contrária ao pagamento desta dívida, a organização ‘Jubilee Debt Campaign’ quer que essa cobrança seja cancelada ‘pelo fato do empréstimo ter sido concedido imprudentemente para ditadores com pleno conhecimento que os mesmos não investiriam o dinheiro em desenvolvimento’.

‘Emprestar dinheiro à Junta Militar para comprar armamento britânico foi ilegítimo’, indicou Nick Dearden, diretor do grupo de ativistas ‘Jubilee Debt Campaign’, ao jornal citado.

A Guerra das Malvinas entre Argentina e Reino Unido, que completou seu 30º aniversário no último dia 2 de abril, terminou no dia 14 de junho de 1982 com a rendição argentina. O confronto resultou na morte de 649 argentinos, 255 britânicos e três ilhéus.

Segundo os documentos citados pelo ‘Financial Times’, o empréstimo foi autorizado em 1979, pelo então ministro das Relações Exteriores David Owen, que, por sinal, já tinha manifestado algumas dúvidas.

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Owen indicou que as dúvidas eram relacionadas ao ‘potencial dos armamentos comprados por um regime cujo histórico de direitos humanos era pior que o do Chile’ e que também poderia ‘gerar um confronto contra os britânicos pelas Malvinas’. EFE

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