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Quinto dia de greve nos transportes provoca engarrafamentos na França

Na manhã desta segunda-feira foram registrados mais de 600 quilômetros de congestionamento na região de Paris

Por Da Redação - 9 dez 2019, 09h37

Centenas de quilômetros de engarrafamentos e o caos nos transportes públicos em Paris marcam nesta segunda-feira, 9, o quinto dia de greve na França contra a reforma da Previdência do governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um teste de fogo para seu projeto.

A paralisação nos transportes provocou cenas de caos, sobretudo em Paris, com poucos trens e linhas de metrô em circulação e mais de 500 quilômetros de engarrafamentos.

Nove das 15 linhas de metrôs da capital francesa estavam completamente fechadas e apenas duas, 100% automatizadas e que circulam sem condutor, funcionavam normalmente.

Diante da falta de transportes públicos, e com uma segunda-feira de fortes chuvas, muitos franceses foram obrigados a utilizar os próprios veículos, o que gerou mais de 600 km de engarrafamentos na região de Paris às 8h00, três vezes acima do normal.

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Sete das 25 garagens de ônibus de Paris amanheceram bloqueadas por grevistas: apenas um terço dos veículos saíram às ruas.

A empresa estatal de ferrovias SNCF cancelou pelo menos 80% das viagens dos trens de alta velocidade e advertiu para o risco de saturação nas estações.

E a situação não deve melhorar na terça-feira, 10, dia em que os sindicatos convocaram uma nova jornada de greve e manifestações, após o sucesso da paralisação da última quinta-feira 5, que levou 800.000 pessoas às ruas.

A prorrogação da greve inquieta os empresários, que até agora previam um impacto moderado, mas que temem um agravamento com bloqueios e escassez de combustíveis no período de festas de dezembro.

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A mobilização é um protesto contra um “sistema universal” de aposentadorias, que pretende substituir os atuais 42 regimes de aposentadoria existentes (geral, de funcionários públicos, setor privado, especiais, autônomos, complementares).

O governo francês promete um dispositivo “mais justo”, mas os críticos – quase todos os sindicatos e a oposição de esquerda – afirmam temer uma “precariedade maior” para os aposentados.

O projeto de reforma da Previdência ainda não foi revelado na íntegra, mas o governo já divulgou várias mudanças previstas. O Executivo pode propor uma transição de 10 a 15 anos entre os regimes atuais e o futuro sistema.

Sob forte pressão, o Executivo pretende apresentar o projeto completo na quarta-feira, 11.

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Nesta segunda-feira, o presidente Emmanuel Macron receberá os principais ministros de seu gabinete para concluir os detalhes do projeto, que, segundo os influentes sindicatos do país, obrigará os franceses a trabalhar por mais tempo para receber uma pensão menor.

O alto comissário Jean-Paul Delevoye, que redigiu a reforma, se reunirá com representantes dos sindicatos para tentar superar o bloqueio.

Mas os sindicatos estão determinados a manter a disputa. “Não cederemos até a retirada da reforma, da qual não existe nada de bom”, disse Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, uma das principais centrais do país.

Uma pesquisa publicada no domingo mostrou que 53% dos franceses apoiam a greve ou expressam simpatía por suas demandas, o que representa um aumento de seis pontos em uma semana.

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(Com AFP)

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