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Quênia: vice-presidente alega inocência no Tribunal de Haia

É a primeira vez que uma autoridade enfrenta um julgamento no Tribunal Penal Internacional (TPI) durante o exercício de um cargo público

Por Da Redação - 11 Sep 2013, 08h35

O vice-presidente do Quênia, William Ruto, disse ser inocente das acusações de crimes contra a humanidade na audiência inicial de seu julgamento no Tribunal Penal Internacional (TPI), na terça-feira, em Haia, na Holanda. A presença de Ruto na Corte marcou a primeira vez que uma autoridade compareceu diante de um tribunal para enfrentar um julgamento internacional durante o exercício de um cargo público. Ele foi indiciado por orquestrar o massacre de civis junto com o jornalista Joshua Sang, que também está sendo julgado em Haia.

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Ruto e Sang foram acusados de ser os mentores da morte de 1.300 pessoas após as eleições nacionais realizadas há cinco anos. Eles são processados por conspirar para assassinar, deportar e perseguir apoiadores do partido político rival na região do Vale do Rift. “Os crimes pelos quais os senhores Ruto e Sang são acusados não foram somente atos espontâneos e aleatórios de brutalidade”, disse Fatou Bensouda, promotor do TPI, ao descrever as acusações perante a corte. “Foi um plano de violência cuidadosamente planejado e executado. O objetivo final de Ruto era conquistar poder político para si mesmo e seu partido caso não fosse capaz de consegui-lo através das urnas.”

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O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, antigo inimigo político de Ruto e atual aliado, também vai enfrentar julgamento sob acusações semelhantes de crimes contra a humanidade no início de novembro. Em 2007, Kenyatta, que era ministro das Finanças, e Ruto, que era ministro da Ciência e Tecnologia, foram acusados de tomarem parte na repressão que se seguiu nas regiões que apoiaram o candidato derrotado, Raila Odinga. Foi o período mais tenso e sangrento do país desde a independência do Quênia, em 1963.

Parlamento – Kenyatta e Ruto acabaram com as diferenças neste ano, e uniram forças para eleger a Aliança Jubileu, em março. A campanha dos políticos foi repleta de críticas ao TPI, que, segundo eles, seria movido por “perseguição racial”. Na última quinta-feira, o Parlamento queniano aprovou uma proposta para deixar o Tribunal de Haia. Foi a primeira vez que uma das 122 nações que aderiram ao estatuto que criou o tribunal tomou tal decisão.

Ao todo, 34 nações africanas fazem parte do TPI. Todas as oito investigações conduzidas pelo tribunal que já evoluíram para casos criminais envolvem países africanos. Além do Quênia, fazem parte da lista Uganda, Sudão e a República Democrática do Congo.

(Com agência Reuters)

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