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Quem pagará a conta de Kim Jong-un em Singapura?

Segundo especialistas, caberá a outras nações arcar com os custos da viagem dos norte-coreanos para a histórica cúpula com Donald Trump

Por AFP - Atualizado em 8 jun 2018, 17h20 - Publicado em 8 jun 2018, 15h59

Não acostumada a pagar a fatura, a Coreia do Norte deve, desta vez, deixar Seul ou Singapura acertarem a conta de sua participação, na terça-feira, 12, na reunião com Donald Trump. A cidade-Estado se prepara para receber a histórica cúpula entre o presidente americano e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, em um hotel de luxo na ilha de Sentosa.

Ambos os protagonistas possivelmente ficarão em hotéis de alto nível. E é provável que a Coreia do Norte, alvo de uma série de sanções, não tenha nada a pagar. “Pyongyang está acostumado com o fato de que outros paguem por todos os ‘compromissos diplomáticos’ do regime recluso”, explicou à AFP Sung-Yoon Lee, da Escola Fletcher de Direito e Diplomacia da Universidade Americana de Tufts.

No último fim de semana, o ministro da Defesa de Singapura, Ng Eng Hen, declarou que seu governo estava pronto para assumir algumas das despesas norte-coreanas, a fim de participar dessa “reunião histórica”.

A conta provavelmente será salgada, porque a delegação norte-coreana não se hospedará em qualquer lugar. Um imponente edifício colonial à beira-mar, o hotel Fullerton, cinco-estrelas, oferece, por exemplo, uma suíte presidencial a 6.000 dólares por noite que poderia agradar a Kim Jong-un, cujo gosto pelo luxo não é segredo.

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Se não for este o caso, o jovem líder poderia recorrer ao St. Regis, que oferece seus mordomos e uma frota de Bentleys. O pernoite na suíte presidencial custa 6.700 dólares, com café da manhã incluído.

O estabelecimento também possui uma coleção particular de mais de setenta obras de arte, com Picasso e Miró liderando as assinaturas famosas.

Como o líder e sua delegação chegarão a Singapura também é uma dúvida.

Trump pode contar com o Air Force One, cujo alcance é de 13.000 km. Mas o “Air Force Un” de Kim Jong-un, como é apelidado pela imprensa internacional o Ilyushin-62 do regime norte-coreano, é uma aeronave envelhecida, de fabricação soviética. E os especialistas em aeronáutica duvidam de sua capacidade de voar até Singapura.

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Kim Jong-un poderá ter de ser levado por outra pessoa, ou alugar um avião. Se quiser algo parecido com o Air Force One, um Boeing 747-200, a PrivateFly.com aluga o modelo por 17.501 dólares por hora.

Com exceção da oferta do ministro de Singapura, os governos estrangeiros não demonstraram nenhuma vontade de pagar pelas despesas da missão de Kim. “Não vamos pagar seus custos”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert.

Coreia do Sul

Um porta-voz do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, indicou que esse último também não pretendia colocar a mão no bolso. No entanto, é para os sul-coreanos que os olhos se voltam quando se trata de pagar a conta dos norte-coreanos.

Seul havia liberado 2,86 bilhões de wons (2,7 milhões de dólares) para abrigar a enorme delegação do norte nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, que desempenhou um papel central na atual distensão na península. A Coreia do Sul também pagou pela participação dos norte-coreanos nos Jogos Asiáticos em 2002 e 2014.

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A recíproca não é verdadeira, já que Seul também pagou pelas visitas ao Norte de sul-coreanos durante as reuniões familiares organizadas nos últimos anos, segundo o Ministério da Unificação.

Prêmio Nobel da Paz de 2017, a organização Campanha Internacional pela Abolição de Armas Nucleares (ICAN), propôs na segunda-feira 4 arcar com os custos, aproveitando a soma recebida com a distinção de prestígio.

“Se a realização da cúpula for ameaçada por questões de dinheiro, estamos prontos para arcar com os custos, porque é um encontro histórico importante”, declarou à AFP Akira Kawasaki, representante da ICAN.

A revista Newsweek informa que o site de viagens HotelPlanner.com se oferece para pagar as acomodações e a cobertura do líder norte-coreano.

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No final, no entanto, caberá a um governo pagar a conta, acreditam os especialistas em questões coreanas, que para muitos consideram uma pena que um país que gastou bilhões de dólares para adquirir armas nucleares não pague suas despesas. “Pensar que o líder norte-coreano não tem dinheiro para viajar para Singapura é um absurdo”, diz Sung-Yoon Lee.

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