Quem é a americana que deve ser a primeira mulher executada em 200 anos nos EUA
Condenada pelo assassinato de uma colega quando tinha 18 anos, Christa Pike pode receber injeção letal no Tennessee nesta quarta-feira, 30
Christa Pike, de 50 anos, pode se tornar nesta quarta-feira, 30, a primeira mulher executada pelo estado do Tennessee em mais de dois séculos. Condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, Pike tinha 18 anos quando cometeu o crime. O governador do Tennessee, Bill Lee, rejeitou na segunda-feira, 28, o pedido de clemência apresentado pela defesa. Os advogados agora tentam obter uma suspensão da execução na Suprema Corte dos Estados Unidos.
Pike e o então namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, atacaram Colleen Slemmer, uma colega que conheceram no programa de treinamento profissional Knoxville Job Corps. Segundo as provas apresentadas no julgamento, a vítima foi espancada e torturada antes de ser morta.
Pike foi condenada à pena de morte em 1996. Shipp, por ser menor de idade na época, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
O assassinato provocou grande repercussão em Knoxville. Entre os elementos mais marcantes do caso estava o fato de um símbolo associado ao satanismo ter sido gravado no corpo da vítima. Testemunhas também afirmaram que Pike se gabou do crime e mostrou a outras pessoas um fragmento do crânio da vítima.
O que diz a defesa
A equipe jurídica de Pike sustenta que circunstâncias importantes de sua infância e de sua saúde mental não foram adequadamente apresentadas ao júri durante o julgamento. Os advogados afirmam que ela sofreu repetidos abusos sexuais, físicos e emocionais durante a infância e adolescência e que foi vítima de estupros cometidos por homens próximos à família. Segundo avaliações realizadas posteriormente, Pike também foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.
A defesa argumenta ainda que Pike era uma adolescente quando cometeu o crime e que a evolução do entendimento sobre o desenvolvimento cerebral de jovens deveria ser considerada na análise de sua condenação. Ela é a única pessoa na história moderna do Tennessee a receber pena de morte por um crime cometido aos 18 anos, segundo o Death Penalty Information Center.
Os advogados também afirmam que Pike mudou durante as três décadas que passou no corredor da morte e demonstrou arrependimento pelo assassinato. Especialistas e grupos que defendem a clemência citam o histórico de violência e negligência sofrido por ela como circunstâncias que deveriam ser consideradas antes da execução.
O governador, no entanto, decidiu manter a sentença. Ao rejeitar o pedido de clemência, Bill Lee afirmou que, após analisar o caso, manteria a pena determinada pelo estado e não pretendia intervir. Com isso, a execução permaneceu marcada para 30 de setembro, por injeção letal.
A Suprema Corte do Tennessee também já havia rejeitado pedidos relacionados à suspensão da execução. Nesta semana, a defesa levou a questão à Suprema Corte dos Estados Unidos e pediu uma ordem de emergência para impedir que a pena seja cumprida. Até esta terça-feira, 29, não havia decisão pública do tribunal federal concedendo a suspensão.
Família da vítima
A mãe de Colleen Slemmer, May Martinez, defende a execução de Pike. Em declarações anteriores, ela afirmou que a condenada deve responder pelo assassinato e que a família continua sofrendo as consequências da morte da jovem.
Caso a execução ocorra, Pike será a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos. O caso também chama atenção pela raridade da pena capital contra mulheres nos Estados Unidos: desde 1976, apenas 18 mulheres foram executadas no país, em comparação com mais de 1.600 homens.







