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Queda de Assad é questão de tempo – mas pode ser longo

Chefe de inteligência dos EUA diz que a única saída para o regime é renunciar

Por Da Redação - 31 jan 2012, 14h24

Dois dos principais chefes dos órgãos de inteligência dos EUA afirmaram nesta terça-feira que não há outra alternativa para o ditador Bashar Assad a não ser deixar o poder na Síria. A queda do regime sírio é “apenas uma questão de tempo” diante da revolta de parte da população, declarou o diretor nacional de inteligência dos EUA, James Clapper. “Pessoalmente, acredito que é apenas uma questão de tempo, mas esse é o problema, pode ser por muito tempo”, admitiu Clapper diante de uma comissão da inteligência no Senado.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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“Eu não vejo como ele poderá manter seu controle sobre o país”, completou, acrescentando que este processo poderá demorar por causa da “fragmentação da oposição”. Outro alto dirigente da inteligência americana, o ex-general David Petraeus, atual diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) compartilhou a posição de Clapper. “A oposição mostrou uma capacidade de resistência considerável”, afirmou Patraeus, ressaltando também o aumento da violência das forças de repressão do regime durante as manifestações e a chegada da onda de revolta aos subúrbios de Alep, a segunda maior cidade do país, e da capital Damasco.

A queda de Bashar Assad, membro da minoria alauíta, levará ao estabelecimento de um governo dominado por sunitas, majoritários no país, previu Patraeus. Os novos dirigentes do país irão acabar com a aliança da Síria com o Irã, o que um será um “revés considerável” para a República Islâmica, afirmou o diretor da CIA. “A perda da Síria, que faz o papel de plataforma logística e de ligação para apoiar o Hezbollah no Líbano, representará um revés considerável para o Irã. É por isso que a Guarda Revolucionária (iraniana) apoia tanto Bashar Assad”, completou Patraeus.

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ONU – Também nesta terça-feira, antes do início da aguardada reunião do Conselho de Segurança da ONU que irá discutir uma resolução contra o regime de Assad, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu que a situação na Síria representa um perigo internacionalmente. “É uma ameaça para a paz e a segurança regional e mundial”, disse o dirigente da ONU em entrevista coletiva em Amã, na Jordânia, ao lado do ministro de Relações Exteriores jordaniano, Nasser Yudeh.

Em viagem pelo Oriente Médio, Ban Ki-moon denunciou que a situação na Síria é “totalmente inaceitável” e afeta “os três pilares da ONU: a paz e a segurança, o desenvolvimento e os direitos humanos”. O secretário-geral também demonstrou sua esperança na reunião do Conselho de Segurança e disse que o órgão deve apoiar o plano de paz da Liga Árabe, que prevê a saída de Assad do poder.

“Espero sinceramente que os membros do Conselho de Segurança se mostrem unidos desta vez para falar e atuar de forma coerente”, disse o secretário, em alusão à oposição da Rússia, que tem poder de veto e já se mostrou disposta a barrar qualquer acordo que condicione o fim da crise e a formação de um governo provisório à entrega da Presidência pelo ditador sírio.

(Com agências EFE e France-Presse)

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