23 militares e policiais venezuelanos desertam para a Colômbia

Em meio às tensões provocadas pelas fronteiras fechadas, Colômbia tenta passar com ajuda humanitária para o lado venezuelano

Por Denise Chrispim Marin - Atualizado em 23 fev 2019, 18h33 - Publicado em 23 fev 2019, 12h09

Atualização: Pelo menos 23 membros da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela e dois da polícia desertaram neste sábado, 23, em meio à tentativa de entrada da ajuda humanitária ao território venezuelano, confirmou Migração da Colômbia.

Segundo o relatório oficial, até o momento desertaram “duas mulheres da Polícia Nacional Bolivariana, um membro das Forças Especiais (FAES), um motorista de um tanqueta da Guarda Nacional, 18 membros da Guarda Nacional Bolivariana, dois deles com suas famílias, e um oficial da Marinha venezuelana”.

No total, 22 membros das Forças Armadas se entregaram no departamento colombiano de Norte de Santander, do qual Cúcuta é a capital, e outro fez o mesmo na região de Arauca.

 

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O processo começou pela manhã, quando quatro integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) desertaram na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia e solicitaram proteção às autoridades colombianas. Três militares estavam posicionados na Ponte Internacional Simón Bolívar e solicitaram ajuda à Alfândega da Colômbia. Um sargento desertou na Ponte Francisco de Paula Santander. Ao cruzarem a divisa, eles foram rendidos. Depois, tratados como heróis. A Migração colombiana confirmou a deserção de outros nove militares e policiais horas depois.

Os integrantes da GNB que se entregaram na Ponte Internacional Simón Bolívar são o tenente Richard Sánchez Zambrano e os sargentos-majores Edgar Torres Valera e Óscar Suárez Torres. Foram recebidos com aplausos e ovações e, visivelmente emocionados, cumprimentaram as pessoas presentes na passagem fronteiriça.

Durante a deserção, o veículo blindado no qual os integrantes da GNB se locomoviam rompeu as barreiras instaladas pelo governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na ponte e atropelou duas pessoas. O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, festejou a decisão dos militares. “Venezuela: aqueles guardas e soldados da FANB que decidam se somar à nossa luta não são desertores”, afirmou. “Eles decidiram se colocar ao lado do povo e da Constituição.”

O fato acontece no mesmo dia em que o presidente colombiano, Iván Duque, lidera o envio à Venezuela de ajuda humanitária, junto de Guaidó, que ontem fez sua primeira aparição internacional em Cúcuta durante o show “Venezuela Aid Live”. A essa missão também se uniram os chefes de Estado de Chile, Sebastián Piñera; Paraguai, Mario Abdo Benítez, e o secretário-geral da OEA, Luis Almagro. Os líderes darão uma entrevista coletiva ainda nesta sexta-feira.

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A tentativa de envio de ajuda humanitária começou às 9h locais (11h em Brasília), com caminhões que pretendem atravessar várias passagens fronteiriças. No entanto, o governo venezuelano informou ontem que fechou “totalmente” a fronteira com a Colômbia diante de supostas “ameaças” à sua soberania.

Esta medida aconteceu horas depois que Maduro ordenou o fechamento das ligações com as ilhas de Aruba, Bonaire e Curaçao, todos territórios do reino dos Países Baixos (Holanda), e fechou a fronteira com o Brasil, onde também estão sendo armazenados mantimentos para os venezuelanos.

Ontem, duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas na fronteira entre a Venezuela e o Brasil, depois que Maduro decretou o fechamento total dessa passagem. O conflito deu-se na comunidade indígena de Kumarakapai, quando militares venezuelanos se viram diante dos protestos dos civis. A cidade fica a cerca de 785 quilômetros de Pacaraima (RR). Parte dos feridos está em tratamento em Boa Vista e em Pacaraima.

(Com EFE)

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