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Quase 700 paquistaneses foram contaminados por médico com HIV

As vítimas, a maioria crianças, teriam sido infectadas com seringas usadas; país tem segunda maior taxa de crescimento da epidemia na Ásia

Já são 681 os pacientes contaminados propositalmente pelo vírus HIV em Larkana, no sul do Paquistão. As vítimas, em sua maioria crianças, teriam sido alvo do médico Muzaffar Ghangharo, que tem aids, e foram infectadas com seringas previamente usadas desde o início de abril.

“Um total de 681 pessoas, incluindo 537 crianças entre dois e 12 anos, testaram positivo para o HIV em Larkana”, disse Zafar Mirza, conselheiro de Saúde do primeiro-ministro paquistanês Imran Khan.

“O primeiro-ministro anunciará medidas drásticas para prevenir a doença assim que determinarmos a causa exata de sua disseminação”, explicou Mirza, detalhando que mais de 21 mil pessoas foram submetidas a exames na região.

 

Segundo os investigadores responsáveis pelo caso, o pediatra soropositivo, preso no início do mês, continua negando ter inoculado o vírus em seus pacientes.

No último dia 17, Sikandar Memon, líder do programa de controle de aids na província de Sindh, declarou ao jornal britânico The Guardian que pelo menos 16.000 pessoas de Larkana já tinham feito o teste para detectar uma possível infecção. Resultados positivos para a presença do vírus surgiram para 437 crianças e 100 adultos.

“Seis por cento das crianças infectadas têm menos de 5 anos”, contou Memom. “Nós sofremos muito no dia em que descobrimos sobre o HIV positivo no exame do nosso filho”, disse Rehmat Bibi, mãe de Ali Raza, de 10 anos, à Associated Press.

Bibi disse não ter desconfiado de algo errado quando seu filho ficou febril, em sua casa no distrito negligenciado e poluído de Larkana. O médico denunciado prescreveu um xarope com paracetamol para Raza e afirmou à mãe que não havia motivos para preocupação. Mas Rehmat entrou em pânico depois de notícias sobre outras crianças em vilas vizinhas diagnosticadas como soropositivas depois de sofrer uma febre resistente.

Rehmat levou Raza a um hospital, e os exames ali realizados confirmaram a presença do HIV, causador da aids. Segundo a paquistanesa, foi devastador ver seu filho contaminado com tão pouca idade.

Depois da descoberta, toda a família passou por testes, mas nenhum parente do garoto é portador do vírus. Em escala nacional, o ministério da Saúde do Paquistão registrou mais de 23.000 casos de infecção pelo vírus somente em 2018, em um aumento epidêmico causado principalmente pelo uso de seringas não esterilizadas.

O ritmo de disseminação da aids no país é o segundo mais rápido na Ásia, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU).

(Com AFP)