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Qual é o estado de saúde da americana que sobreviveu a duas injeções letais nos EUA

Christa Pike, condenada pelo assassinato de uma colega em 1995, se tornaria a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 out 2026, 11h44 | Atualizado em 2 out 2026, 13h13
Qual é o estado de saúde da americana que sobreviveu a duas injeções letais nos EUA Priorize VEJA no Google

Christa Pike, a mulher que sobreviveu a duas injeções letais após ser condenada à morte nos Estados Unidos, está em estado crítico e recebe atendimento médico de emergência em um hospital de Nashville, informaram seus advogados. A execução da norte-americana estava programada para quarta-feira, 30, e seria a primeira aplicação da pena capital a uma mulher no estado do Tennessee em mais de 200 anos.

“Christa está viva neste momento. Não temos uma noção clara do prognóstico nem muitas atualizações sobre seu estado de saúde agora, mas sabemos que ela está viva e recebendo atendimento médico de emergência”, disse Randall Spivey, um dos advogados de Pike, a repórteres nesta sexta-feira, 2.

Spivey disse ter contado pelo menos sete agulhas inseridas no braço esquerdo de Pike durante a tentativa de execução. Em entrevista coletiva nesta quinta, 1º, ele afirmou que uma das agulhas parecia estar torta quando foi retirada.

“O que nos informaram é que ela está em estado crítico, recebendo cuidados para salvar sua vida. Essas são as únicas informações que temos no momento”, afirmou Stephen Farrell, outro advogado.

Pike foi levada ao hospital após se constatar que seu coração ainda batia depois das doses de pentobarbital, um barbitúrico (anestésico) utilizado na maioria dos protocolos de execução em diversos estados americanos, incluindo o Tennessee. A droga tem como objetivo induzir a inconsciência, seguida de paralisia e parada cardíaca, levando à morte. Ela ainda pode retornar ao corredor da morte.

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Por que a execução deu errado?

Pike recebeu duas doses do sedativo na Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend, em Nashville, Tennessee, na noite de quarta-feira. Kim Chandler, jornalista da agência de notícias The Associated Press que acompanhava o procedimento, reportou que, quando as injeções foram administradas, a detenta parecia visivelmente desperta.

“A boca dela se abriu algumas vezes e ela começou a roncar alto. Ela ofegou algumas vezes, claramente muito viva — até que as testemunhas da imprensa fossem instruídas a deixar o local”, observou a repórter.

O Departamento de Correções do Tennessee não explicou por que a execução não foi concluída, ressaltando em comunicado apenas que “seguiu todas as etapas do protocolo de execução legal e estabelecido do estado, aprovado pela Procuradoria-Geral”. No entanto, o advogado de direitos humanos Clive Stafford Smith, que já acompanhou várias execuções para apoiar clientes no passado, avalia haver duas razões prováveis para a injeção ter falhado: 1) os medicamentos poderiam estar vencidos; e 2) Pike pode ter desenvolvido resistência a drogas devido ao histórico de abuso de substâncias.

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“Algo que temos observado muito nos últimos 10 anos é a administração de medicamentos que não estão mais dentro da validade”, disse o advogado em entrevista à emissora Al Jazeera, referindo-se às dificuldades ligadas à resistência dos fabricantes em distribuir drogas comumente usadas em injeções letais, uma vez que o pentobarbital foi projetado para ajudar médicos a salvar vidas. Alguns estados começaram a experimentar novos fármacos, utilizando fornecedores pouco confiáveis.

“Além disso, nos Estados Unidos, médicos não têm permissão para participar desse processo. O resultado é que pessoas sem a devida qualificação administram essas drogas, o que pode ter levado à falha da injeção”, acrescentou Stafford Smith na conversa com a Al Jazeera.

E agora?

No momento, a situação é incerta. Após o incidente envolvendo Pike, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu nesta quinta-feira, 1º de outubro, todas as execuções restantes previstas para 2026 no estado. Ele também solicitou uma revisão abrangente, realizada por investigadores independentes, para apurar o que está por trás do fracasso das injeções.

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Execuções malsucedidas não são um evento tão raro. De acordo com dados do Death Penalty Information Center, uma organização sem fins lucrativos, das 8. 776 aplicações da pena capital entre 1890 e 2010, 3,15% delas (276) apresentaram problemas. A injeção letal foi o método com a maior taxa de erro — 7,2% — durante esse período.

Um dos casos foi o do assassino Alva Campbell, em novembro de 2017, em Ohio. Segundo o Death Penalty Information Center, sua execução se arrastou por mais de 80 minutos, pois a equipe não conseguia encontrar veias nos braços, e depois nas pernas do detento. Depois de quase duas horas, o Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio cancelou o procedimento. Meses depois, Campbell morreu no corredor da morte devido a problemas de saúde.

Sucessão de polêmicas

Apenas uma hora antes de a execução ocorrer, um tribunal federal de apelações adiou o protocolo para analisar alegações de abuso sexual e estupro sofridos por ela na infância — questões que, segundo Pike, não haviam sido totalmente consideradas durante a sua condenação.

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O caso de grande repercussão chegou a ser contestado por especialistas em direitos humanos devido à idade de Pike na época do crime, ao seu histórico como vítima de abuso e a potenciais doenças mentais não tratadas. Na era moderna da pena de morte, após 1976, o Tennessee nunca executou alguém que tivesse apenas 18 anos na época do delito.

No entanto, mais tarde naquela quarta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou a suspensão e abriu caminho para que o estado do Tennessee prosseguisse com a pena.

A raridade de mulheres no corredor da morte é um fenômeno nacional. Desde 1976, quando a Suprema Corte americana restabeleceu a pena, apenas 18 mulheres foram executadas em todo o país, em comparação a mais de 1. 600 homens.

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O caso

A condenação de Pike aconteceu em 1995, quando, acabada de chegar à maioridade, assassinou a colega Colleen Slemmer, de 19 anos. Na época, a criminosa contou com a ajuda de dois outros jovens, incluindo seu namorado, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos no momento do crime. Por ser menor de idade, ele não pôde ser condenado à morte e cumpre prisão perpétua.

Segundo a investigação, Pike matou Slemmer por ciúme e obsessão, acreditando que a colega estava interessada em Shipp. As garotas estudavam juntas no programa Job Corps em Knoxville, no Tennessee, quando a primeira convenceu-se de que a colega queria roubar seu namorado e passou a nutrir um forte rancor.

Em janeiro de 1995, Pike, seu namorado e outra amiga atraíram Slemmer para uma área florestal isolada sob o pretexto de fazerem as pazes. No local, a vítima foi brutalmente torturada e espancada por cerca de 45 minutos antes de ser assassinada.

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A defesa de Pike tentou reverter a sentença com base em evidências que não teriam sido apresentadas adequadamente ao júri original. Na época, o advogado responsável pelo caso era recém-formado e nunca havia atuado em um processo de homicídio.

Os atuais defensores argumentam que Christa Pike possui um histórico severo de traumas, incluindo abuso sexual e estupros na infância e adolescência, além de abandono familiar, lesão cerebral e problemas de saúde mental não tratados.

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