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Quais são as reais chances de Trump ganhar?

Com o início das eleições primárias em Iowa, as pesquisas apontam o magnata como franco favorito, mas isso não significa que ele vai ser o escolhido do Partido Republicano

Por Julia Braun - 31 jan 2016, 15h16

Em poucas palavras, a disputa republicana pela indicação para concorrer à Casa Branca nas eleições de novembro podem ser assim definidas: Donald Trump lidera, mas a maioria do Partido Republicano, incluindo suas lideranças, não o apoia. Por isso, a menos de 24 horas do início das primárias para a eleição presidencial dos Estados Unidos, a disputa pela indicação do Partido Republicano ainda permanece indefinida. Nesta segunda-feira, Iowa será o primeiro Estado a escolher seus candidatos e as sondagens confirmam a liderança do magnata do ramo imobiliário no Estado, com uma média de 33,2% das intenções de voto. Logo atrás aparece o senador pelo Estado do Texas, Ted Cruz, com 26,7%. Porém, diante da primeira disputa política real, o furacão Trump pode começar e perder força até virar uma brisa e se desfazer no ar.

Para o analista político David Karol, da Universidade de Maryland, a vitória de Trump em Iowa pode ser dificultada pelo sistema local, o caucus, no qual os eleitores decidem seus votos em reuniões políticas, depois de debates sobre as propostas e temas eleitorais apresentados por representantes de cada candidato. Além disso, liderança de Trump nas pesquisas pode ser apenas virtual. Como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, muitas pessoas que dizem que vão votar em Trump não são eleitores assíduos e há ainda muitos simpatizantes do magnata que não são sequer eleitores – nunca se registraram para votar em nenhuma eleição anterior, aponta uma pesquisa revelada pela revista Time.

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Apesar de designar poucos delegados e ter influência reduzida na nomeação do candidato, Iowa será o primeiro termômetro de sua campanha e uma vitória do magnata falastrão logo na primeira fase das primárias não está totalmente descartada. Após mais de sete meses de candidatura, Trump vem surpreendendo os analistas americanos, que desacreditavam o pré-candidato por sua falta de experiência política e continuo descaso pelo legado político e pelas figuras do próprio partido.

E se Trump ganhar? – Caso receba, de fato, a indicação, sua incompatibilidade com grande parte do Partido Republicano, que nos últimos anos ambiciona promover sua agenda conservadora, mas sem deixar de expandir seu apelo para eleitores de centro, pode dificultar sua campanha nas eleições gerais. “Definitivamente haveria dissidência dentro do partido. Muitos republicanos já inclusive disseram que não vão apoiá-lo”, afirma o analista político David Canon, da Universidade de Wisconsin. O cientista político David Karol corrobora a mesa visão: “Sua candidatura ganhou contornos reais. Mas ele provoca divisão demais dentro do partido”, diz.

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Trump também não desperta afagos da grande imprensa, algo fundamental para um candidato chegar à Casa Branca. O magnata é constantemente bombardeado – mesmo por analistas políticos alinhados aos republicanos – na mídia americana e, recentemente, a prestigiada revista New Yorker afirmou que “com o apoio de Sarah Palin, Trump iria aumentar sua liderança entre os eleitores idiotas”. A ex-candidata a vice-presidente é outra figura política desprezada pela imprensa americana (e mesmo por membros de seu partido).

Porém, mesmo não contando com um mínimo de simpatia na imprensa, Trump definitivamente já aceitou – e passou a explorar com talento – a máxima “falem mal, mas falem de mim”. Com isso, mesmo sendo duramente criticado após cada declaração desastrosa, ele recebe enorme destaque gratuito da mídia americana, roubando espaço dos demais candidatos. Outra dificuldade de sua campanha está na arrecadação de fundos. “A resistência ao Trump é mais forte entre a classe doadora do Partido Republicano, então ele provavelmente não vai arrecadar o mesmo valor que um candidato tradicional levantaria”, diz o americano Kyle Kondik, do Centro de Política da Universidade de Virgínia. No entanto, recursos financeiros obviamente não tem sido um problema na campanha do bilionário, que detém uma fortuna declarada de 10 bilhões de dólares (40,8 bilhões de reais).

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Pequena chance – O caminho até as eleições gerais, marcadas para 8 de novembro, ainda é longo, mas se superar os obstáculos das primárias, analistas acreditam que Trump pode sim ter uma chance, ainda que pequena, de derrotar o (ou mais precisamente, “a”) candidato democrata. Apesar das constantes declarações controversas, racistas e machistas do ex-apresentador, sua capacidade de reinventar seu posicionamento político pode ajudá-lo. “Outros republicanos teriam chances maiores nas eleições gerais, mas isso não quer dizer que ele não tenha nenhuma chance de ganhar”, afirma Kondik.

Mas, de acordo com Christopher Arterton, analista político da Universidade George Washington, respostas mais claras sobre quem será o indicado a concorrer à Casa Branca pelo partido Republicano virão somente no dia 2 de março, na chamada Super Tuesday ou Super Terça, quando treze Estados votarão nas primárias. “Só então a verdadeira luta para o Partido Republicano, contra seu rival, começará”, afirma. Até lá, são todos contra Trump.

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