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Quais foram as declarações de Milei que abriram crise com o governo Lula

Presidente argentino participou de convenção do PL em São Paulo para apoiar candidatura de Flávio Bolsonaro

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 11h12 | Atualizado em 27 jul 2026, 11h52
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O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro em relação aos comentários do presidente Javier Milei durante a convenção do PL, em São Paulo, para anunciar oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro às eleições de novembro.

O Itamaraty também chamou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos a respeito dos laços entre os dois países, no que o jornal argentino La Nación qualificou nesta segunda-feira, 27, como “a maior crise diplomática do último meio século entre a Argentina e o Brasil”.

“A opinião é unânime: dezenas de diplomatas, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais, tanto da ativa quanto aposentados, de ambos os países, não têm dúvidas de que a maior crise diplomática do último meio século entre Argentina e Brasil acaba de ser desencadeada”, escreveu o jornalista Claudio Jacquelin no artigo de opinião.

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Já o Clarín falou em um “conflito diplomático” gerado por Milei que pode gerar medidas de retaliação por parte do governo brasileiro. “Uma crise como esta, com insultos dirigidos a um chefe de Estado em seu próprio país, como os que Milei proferiu contra Lula no sábado no Brasil, é inédita na história democrática”, disse o jornal.

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As declarações

No sábado 25, em um discurso inflamado de quase meia hora, Milei desferiu críticas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as suas políticas sociais, além de ter chamado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”. O magistrado foi relator do caso em que Jair Bolsonaro (PL) foi condenado por tentativa de golpe de Estado, entre outros que miraram o ex-presidente.

A presença do chefe de Estado na convenção do PL “fortaleceu” Flávio Bolsonaro e foi uma “interferência descarada” nas eleições brasileiras, segundo a imprensa da Argentina. Mas sua participação chamou a atenção, especialmente, dada a baixeza dos insultos.

O ultraliberal se referiu a Lula como “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”, embora não o tenha mencionado pelo nome. Ao chamá-lo de “lixo careca”, ele também evitou nomear Moraes.

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“O lixo não me permitiu visitar o meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández” declarou Milei, que havia anunciado na semana passada, durante uma entrevista em seu país, a intenção de usar a viagem ao Brasil para ver Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em sua residência.

Ele ainda mencionou uma suposta colaboração do governo Lula para apoiar a oposição na última campanha eleitoral na Argentina. A Casa Rosada disse que o petista já interferiu na política argentina ao ter visitado a ex-presidente Cristina Kirchner, em prisão domiciliar, no ano passado, às vésperas do pleito legislativo local. Além disso, segundo Milei, o brasileiro teria financiado o seu adversário, Sergio Massa, na eleição de 2023 — a mesma que o fez presidente.

Após enaltecer suas políticas econômicas na Argentina, ele também criticou o socialismo, o presidente Lula e as suas políticas de destribuição de renda.

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“Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de ‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”, afirmou.

Milei tenta se posicionar como líder da direita na América Latina. Durante a convenção, ele associou a candidatura de Flávio a uma “transformação política em curso” na região. Segundo ele, países latino-americanos estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.

Próximos passos

Não ficou claro que tipo de medida a diplomacia brasileira pretende tomar diante do que o Itamaraty chamou de “ofensas proferidas” por Milei. Ainda segundo o artigo do La Nación, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não considera “nenhuma das medidas mais extremas”, como o rompimento de relações diplomáticas ou a expulsão de diplomatas (declaração de persona non grata).

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No entanto, o jornal destacou que o governo argentino “já deixou claro que não haverá pedido de desculpas do embaixador Raimondi, muito menos do presidente”.

O Clarín, por sua vez, alertou que as tensões devem afetar tanto a missão do embaixador quanto do cônsul em São Paulo, Luis María Kreckler, “que tem um relacionamento ruim com o governo do PT” — apesar de ter vivido momentos tensos também com Jair Bolsonaro por ter sido membro do governo de Cristina Kirchner (ele atuou como seu embaixador em Brasília).

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