Putin telefona para Irã e diz estar disposto a mediar crise em meio a ameaças de Trump
Em ligações com seu homólogo iraniano e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, presidente russo defendeu estabilização; Moscou e Teerã apertam laços
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu a situação no Irã em telefonemas separados nesta sexta-feira, 16, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e se colocou à disposição como mediador em meio à alta tensão na região, segundo o Kremlin. Há quase três semanas, uma enorme onda de protestos é reprimida com força letal por Teerã, o que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ameaçar uma ação militar contra o país.
O governo russo afirmou que vai divulgar um comunicado sobre a ligação com Pezeshkian em breve. Por ora, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que Putin “continuará os esforços” para diminuir a escalada de tensão no Oriente Médio e “promover um diálogo construtivo com a participação de todos os Estados interessados”.
“A Rússia já está fornecendo assistência não apenas ao Irã, mas também a toda a região, e à causa da estabilidade e da paz regional. Isso se deve, em parte, aos esforços do presidente para ajudar a reduzir as tensões”, afirmou o porta-voz.
Na conversa com Netanyahu, mais cedo, Putin apresentou ideias para aumentar a estabilidade no Oriente Médio. No ano passado, Israel e Irã travaram uma guerra de doze dias com intensos ataques aéreos, que terminou após os Estados Unidos bombardearem instalações nucleares iranianas e avançarem com um cessar-fogo frágil.
Repressão e ameaças
Os protestos que tomaram o Irã desde 28 de dezembro do ano passado começaram como atos contra a crise econômica, liderados por comerciantes, mas em poucas semanas angariaram mais setores da população (em especial, jovens e mulheres) e um complexo caldo de insatisfações, transformando-se na mais séria ameaça à teocracia de turbante desde sua instalação, em 1979.
Diante dos relatos de brutal repressão, com pelo menos 3.500 pessoas mortas segundo organizações de direitos humanos, Trump vinha ameaçando atacar o país militarmente e instou os iranianos a “tomarem as instituições”. “A ajuda está a caminho”, escreveu nas redes.
Na quarta-feira 14, o republicano baixou o tom, dizendo ter sido informado de que o número de mortes estava diminuindo e que acreditava ter sido adiado, ou cancelado, um plano de Teerã para execuções em larga escala de manifestantes.
Aliados estratégicos
A Rússia vem estreitando laços com o Irã desde o início da guerra na Ucrânia, e Putin assinou no ano passado um pacto de parceria estratégica de duas décadas com Pezeshkian. Enquanto potências ocidentais acusam o Irã de usar seu programa nuclear clandestinamente para desenvolver armas nucleares — algo que Teerã nega —, a Rússia afirma apoiar o direito da nação persa a desenvolver, pacificamente, seu setor de energia nuclear.
Qualquer ameaça à sobrevivência da liderança iraniana representaria uma séria preocupação para Moscou, 13 meses após a perda de outro aliado importante no Oriente Médio com a queda do ditador sírio Bashar al-Assad. No início deste mês, mais um comparsa da Rússia, o venezuelano Nicolás Maduro, foi capturado pelos Estados Unidos e levado a Nova York para responder por acusações de “narcoterrorismo”.
No entanto, em caso das ameaças de Trump se concretizarem em um ataque — que seria prontamente respaldado por Israel —, a probabilidade de Moscou correr em socorro do Irã é praticamente nula.







