Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Putin: é preciso negociação na Síria antes de falar em ‘mudança de regime’

Por Da Redação - 19 jun 2012, 22h31

Los Cabos (México), 19 jun (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu nesta terça-feira aos envolvidos no conflito da Síria que negociem um cessar-fogo antes de cogitar qualquer iniciativa de ‘mudança de regime’.

Em entrevista coletiva no Centro de Convenções de Los Cabos, no México, ao término da cúpula do Grupo dos Vinte (G20), Putin disse que ‘pode haver mudança por meios constitucionais’, mas o mais importante é que ‘o país tem que viver em paz’.

‘Consideramos que ninguém tem o direito de decidir em nome de um povo. O povo deve decidir quem está no poder e quem deve deixar o poder’, acrescentou Putin.

‘Todas as facções do conflito armado devem negociar’, declarou o líder russo, que lembrou que há países do norte da África onde situações de violência persistiram até depois de uma mudança de regime.

Publicidade

Putin reconheceu que o tema foi abordado nas reuniões entre líderes do G20, grupo que integra nações desenvolvidas e emergentes, e acrescentou que todos os pontos de vista da Rússia foram escutados e que em alguns casos ‘há diferenças’.

Ontem, Putin e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniram por mais de duas horas para debater o conflito na Síria, e entraram em acordo sobre a necessidade de um ‘processo político’ para evitar uma guerra civil no país árabe.

No encontro não foram anunciados avanços substantivos a respeito da Síria, conflito sobre o qual EUA e Rússia têm forte discordância. O governo russo entende que prevenir uma guerra civil é compatível com o envio de armas ao regime de Bashar al Assad, mas os EUA acreditam que esse apoio está provocando uma guerra civil.

A reunião foi a primeira bilateral desde que Putin voltou à Presidência da Rússia e, como estava previsto, a Síria teve papel de protagonista após as acusações mútuas dos últimos dias sobre uma suposta provisão de helicópteros de combate russos a Damasco.

Publicidade

Já os EUA apostam em uma transição política que envolve ‘necessariamente’ a saída do poder de Bashar al Assad, tema que desperta oposição da Rússia. EFE

Publicidade