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Putin e Obama se encontram em evento e conversam sobre a Ucrânia

Além do encontro informal com o presidente americano, Putin teve uma reunião de uma hora com Angela Merkel. Crise na Ucrânia marcou 70 anos do Dia D

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Barack Obama, mantiveram nesta sexta-feira um encontro informal na Normandia, durante as comemorações do 70º aniversário do desembarque aliado na costa francesa, e discutiram a crise na Ucrânia, informou um porta-voz do Kremlin. Trata-se do primeiro encontro de ambos os chefes de Estado desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em março passado. “Putin e Obama se manifestaram a favor de um urgente fim da violência e das ações militares”, disse Dimitri Peskov. A Casa Branca confirmou a informação e disse que os dois conversaram por cerca de 10 a 15 minutos.

Também presente no evento, na costa noroeste da França, a chanceler alemã Angela Merkel teve um encontro privado com o presidente russo. Ela pediu a Putin para assumir a “grande responsabilidade” que tem seu país para avançar rumo à estabilização da Ucrânia e, especialmente, das regiões do leste onde lutam os separatistas pró-Rússia. Segundo informou em entrevista coletiva em Berlim a porta-voz do governo alemão Christiane Wirtz, o encontro se prolongou durante uma hora. Merkel lembrou a Putin que, após a realização das eleições presidenciais na Ucrânia com o aval internacional, os esforços devem se concentrar na estabilização do país.

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Na próxima terça-feira, o ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, viajará para São Petersburgo para um encontro com o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e com o chefe da diplomacia polonesa, Radoslaw Sikorski. Conforme explicou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão, trata-se de uma reunião que os três ministros realizam anualmente e que nesta edição terá inevitavelmente como eixo a situação na Ucrânia. O governo alemão ratifica assim sua aposta pelo diálogo com a Rússia e por manter abertos os canais diplomáticos com Moscou para tentar encontrar uma solução política ao conflito, acrescentou o porta-voz.

Putin também se encontrou, pela primeira vez, com o presidente eleito ucraniano, Petro Poroshenko. Ambos se cumprimentaram com um aperto de mão cordial. “Durante uma breve conversa, Putin e Poroshenko defenderam o fim urgente do derramamento de sangue no sudeste da Ucrânia e também das ações militares por parte de ambos os lados”, afirmou Peskov, porta-voz do Kremlin, citado por veículos de imprensa russos. Poroshenko tomará posse neste sábado, em cerimônia à qual estarão presentes o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, entre outros dirigentes.

Homenagens – Coroas de flores, desfiles e paraquedistas honraram a maior ofensiva militar anfíbia da história, em 6 de junho de 1944, quando 160.000 soldados britânicos, americanos e canadenses avançaram para confrontar forças alemãs, acelerando a derrota do inimigo e levando paz à Europa. Repleta de veteranos de guerra, alguns em cadeiras de rodas, o presidente Obama uniu-se ao presidente francês, François Hollande, para comemorar a vitória e reafirmar os laços entre EUA e França perante as 9.387 lápides de mármore de soldados americanos mortos, no Cemitério Americano da Normandia.

Obama disse na cerimônia que a faixa de 80 quilômetros da costa da Normandia – local onde soldados aliados chegaram sob fogo inimigo – foi uma “pequena faixa de areia sobre a qual esteve mais do que o destino da guerra, mas o curso da história humana”. O presidente dos EUA buscou ligar os sacrifícios da II Guerra Mundial ao dos soldados americanos mortos em combate desde os ataques terroristas de 11 de setembro por militantes islâmicos da Al Qaeda. “Nossa vitória nessa guerra decidiu não apenas o século, mas moldou a segurança e o bem-estar de toda a posteridade”, disse Obama.

Hollande declarou que a França “nunca esqueceria a solidariedade entre nossas duas nações, solidariedade baseada em um ideal compartilhado, a aspiração, a paixão pela liberdade”. Falando mais cedo na cidade de Caen, que foi devastada pelo combate, Hollande honrou civis franceses mortos durante a invasão aliada, classificando o Dia D como as “24 horas que mudaram o mundo e marcaram para sempre a Normandia”. Vinte e um líderes estrangeiros compareceram a uma série de comemorações. Além dos já citados Obama, Putin Merkel e Hollande, estiveram também presentes a rainha britânica Elizabeth II, o primeiro-ministro britânico David Cameron e o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

(Com agências EFE e France-Presse)

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