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Putin e Obama conversam por telefone sobre referendo na Crimeia

Presidente dos Estados Unidos alertou presidente da Rússia sobre novas sanções decorrentes da anexação da península

Por Da Redação 16 mar 2014, 20h43

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou ao presidente americano, Barack Obama, em uma conversa por telefone neste domingo, que o referendo sobre a anexação da região ucraniana da Crimeia à Rússia estava “completamente em consonância com as normas do direito internacional”. Segundo o governo russo, o referendo “atendeu plenamente aos princípios do direito internacional e à Carta da ONU, e levou em conta especialmente o precedente de Kosovo”, província sérvia de maioria albanesa que se tornou independente com a ajuda do Ocidente, declarou Putin.

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“Os moradores da península (da Crimeia) tiveram a garantia de poder expressar livremente sua vontade”, disse Putin a respeito do referendo, que é amplamente criticado pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral da Crimeia com base na apuração de metade dos votos, 95,5% dos participantes votaram a favor da anexação da península à Rússia. O resultado final do referendo deve ser anunciado pelo governo da Crimeia nas próximas horas, mas a população já comemora a reunificação com a Rússia.

Durante a conversa com Obama, Putin também declarou que qualquer missão de monitoramento da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) na Ucrânia deve cobrir “todas as regiões da Ucrânia” e não apenas a Crimeia. Os dois líderes concordaram que, “apesar das divergências (…), é necessário buscar em conjunto formas de estabilizar a situação na Ucrânia”.

Obama tomou a iniciativa de ligar para Putin após o término do referendo deste domingo. Ele falou em possíveis sanções adicionais à Rússia, alertando Putin que os Estados Unidos e seus aliados “jamais” reconheceriam o referendo realizado na Crimeia. “O presidente Obama enfatizou que o referendo na Crimeia viola a Constituição ucraniana e ocorreu sob a pressão da intervenção militar russa e jamais seria reconhecido pela comunidade internacional”, afirmou a Casa Branca, em comunicado.

A Crimeia foi historicamente parte da Rússia até que a União Soviética cedeu o território à Ucrânia em 1954, por decisão de Nikita Krushceov. Moscou, no entanto, manteve no porto de Sebastopol a base de sua frota no Mar Negro. A população em sua maioria fala russo e é favorável à anexação. As minorias ucraniana e tártara, que representam 37% da população, pediram o boicote ao referendo.

(Com agência France-Presse)

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