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Putin aos americanos: ataque à Síria despertará o terror

Em artigo no 'NYT', presidente russo diz que ação dos EUA aumentará violência no conflito e livra Assad de culpa por ataque químico, que atribui aos rebeldes

Por Da Redação 12 set 2013, 02h32

O presidente russo, Vladimir Putin, decidiu advogar pela não intervenção militar dos Estados Unidos na crise síria diretamente àqueles que mais rejeitam a ideia da Casa Branca embarcar em um novo conflito armado: os próprios americanos. Nesta quinta-feira, em artigo no jornal The New York Times endereçado “ao povo americano e seus líderes políticos”, Putin adverte que um potencial ataque dos EUA ao regime do ditador sírio Bashar Assad “desencadearia uma nova onda de terrorismo” e aumentaria a violência do conflito para além das fronteiras da Síria, contribuindo para desestabilizar toda a região do Oriente Médio e o Norte da África.

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A mensagem de Putin, que toca em um dos temas mais caros aos americanos nas últimas décadas – o constante fantasma do terror -, vem acompanhada de uma defesa velada do regime de Assad, de quem a Rússia é a maior alidada, e de um apelo à via diplomática no lugar da “linguagem da força” para resolver a crise.

No texto, intitulado “Um pedido de cautela da Rússia”, o presidente diz que “não há dúvidas de que foi utilizado gás venenoso na Síria”, porém “todas as razões levam a crer que o gás não foi utilizado pelo Exército, mas pelas forças de oposição, para provocar uma intervenção estrangeira”. Putin não dá pistas sobre que razões seriam essas, mas marca posição totalmente oposta à dos EUA, que garantem ter provas de que o ataque no dia 21 de agosto foi praticado pelo regime sírio.

Chamando a guerra civil síria de “conflito interno, abastecido por armas estrangeiras fornecidos para a oposição”, Putin adverte para os perigos de alianças com os rebeldes, entre os quais, diz ele, há “combatentes da Al Qaeda e extremistas de todos os matizes mais do que o suficiente”. O artigo, entretanto, não menciona o fato da Rússia há muito tempo fornecer armas ao governo da Síria. O governo russo, escreve Putin, “não está protegendo o governo sírio, mas o direito internacional” ao defender um “plano de compromisso” desenvolvido pelos próprios sírios para chegar à paz.

Segundo Putin, a ação militar dos EUA teria ainda outras consequências regionais e “poderia minar os esforços multilaterais para resolver o problema nuclear iraniano e o conflito entre israelenses e palestinos”. Ele classifica como “alarmante que intervenções militares em conflitos internos de países estrangeiros tenham se transformado em lugar comum para os Estados Unidos” e ressalta que o uso da força só é permitido pelo direito internacional em legítima defesa ou por uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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“Qualquer outra coisa é inaceitável sob a Carta das Nações Unidas e constituiria um ato de agressão”, afirma. “Devemos interromper o uso da linguagem da força e voltar ao caminho do acordo político e da diplomacia civilizada”, acrescenta o russo.

Diálogo – Depois de mostrar sua oposição ao ataque militar dos EUA, Vladimir Putin dá as boas-vindas “ao interesse mostrado pelo presidente americano em continuar o diálogo com a Rússia sobre a Síria”, em referência ao discurso de Barack Obama na noite desta terça-feria, o qual considerou como um elemento positivo a possibilidade de uma solução diplomática.

“Uma nova oportunidade de evitar ações militares surgiu nos últimos dias. EUA, Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a disposição do governo da Síria em entregar seu arsenal químico para o controle internacional e sua posterior destruição”, afirma Putin.

O artigo do presidente russo no New York Times é publicado horas antes do encontro entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler Sergei Lavrov, em Genebra, para analisar como implementar o plano russo para controlar o arsenal químico da Síria.

Plano – A intenção da Rússia com a proposta é evitar um ataque dos EUA à Síria, sua aliada de longa data no Oriente Médio. Já os americanos, que acusam o regime de Assad de usar gás sarin em um ataque contra a população da Síria no dia 21 de agosto, uma ação que teria deixado mais de 1.400 mortos, disseram estar céticos com relação ao plano russo, que ainda não teve detalhes divulgados. Por enquanto, os EUA dizem que vão investir na busca de uma solução diplomática.

Na terça-feira, Kerry defendeu que o plano russo deve incluir um “processo verificável” com acesso internacional a todos os locais suscetíveis de abrigar armas químicas. Além disso, os EUA querem que o plano mencione as “consequências” para o caso da proposta não passar de uma manobra para ganhar tempo.

Logo após o ataque de 21 de agosto, o presidente americano, Barack Obama, passou a usar uma retórica dura contra Assad e defendeu um ataque punitivo ao regime do ditador. Mas, nas semanas seguintes, o governo americano pareceu hesitar em tomar a iniciativa.

(Com agência EFE)

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