Putin ameaça ‘responder na mesma moeda’ e apreender navios de países da União Europeia
Declaração segue pressão do bloco europeu sobre frota russa, expandindo sanções contra embarcações
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira, 12, que Moscou responderá “na mesma moeda” se países europeus começarem a apreender navios russos. A declaração foi feita enquanto o Kremlin supervisionava a fase final dos exercícios militares da Frota do Pacífico da Rússia, no extremo leste do país. Na ocasião, o comandante da esquadra, Viktor Liina, afirmou que suas forças estão prontas para “inspecionar e deter” embarcações estrangeiras de “Estados hostis”, como o Reino Unido e a França.
Os comentários ocorrem enquanto a União Europeia tenta aumentar a pressão sobre a frota russa, expandindo sanções contra embarcações e detendo alguns navios para verificações. Alguns governos europeus disseram que estão explorando medidas mais duras de fiscalização marítima contra navios suspeitos de violar as punições econômicas impostas pelo bloco.
“Podemos ver que as autoridades de certos países, em violação do direito marítimo internacional, estão tentando restringir o movimento dos navios de nossos operadores econômicos … e recentemente chegaram ao ponto de considerar a possibilidade de apreender nossos navios e vender a propriedade que eles saquearam”, declarou Putin. “Naturalmente, isso é nada menos do que pirataria e roubo”, acrescentou.
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Em seu discurso, o chefe de Estado russo reforçou que responderá à mesma altura se as fiscalizações marítimas mais rígidas continuarem acontecendo. Putin ressaltou, ainda, que a resposta ao comportamento marítimo europeu não ocorrerá, necessariamente, nos lugares onde as embarcações russas foram interceptadas, mas sim onde ele achar apropriado.
Durante o evento, Liina explicou ao presidente russo que muitos países europeus, como a França e o Reino Unido, têm usado a estratégia de transportar mercadorias em navios que hasteiam a bandeira de outras nações, o que configuraria como “frota fantasma” – tática que os russos estão sendo acusados de utilizar.
Inspeções ilegais
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou, também nesta quarta-feira, 12, uma nota acusando a União Europeia de usar sua força naval no Mediterrâneo, originalmente lançada para impor um embargo de armas à Líbia, para realizar inspeções ilegais em navios estrangeiros.
Como exemplo, o órgão governamental citou uma fiscalização liderada pela Itália em uma embarcação que operava sob a bandeira de Camarões.”O Ministério de Defesa da Itália justificou a ação pela necessidade de verificar a nacionalidade da embarcação. A inspeção durou duas horas. Ao que parece, as suspeitas não se confirmaram e o navio seguiu viagem”, afirmou.
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A operação é a segunda em menos de duas semanas, à medida em que a Europa procura deter embarcações suspeitas de ajudar Moscou a contornar as sanções petrolíferas. “A Operação Irini está efetivamente sendo usada pela União Europeia para intimidar as companhias de navegação comercial e impedir a liberdade de navegação. Há um abuso claro das normas legais internacionais existentes e uma interpretação expansiva de seus poderes”, disse o Ministério das Relações Exteriores.






