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Putin acusa Turquia de comprar petróleo do EI; Erdogan promete renunciar se houver provas

Por Da Redação - 30 nov 2015, 18h19

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, relacionou nesta segunda-feira a derrubada do caça russo Su-24 pela Turquia com o fornecimento de petróleo do Estado Islâmico (EI) para o território turco. “Temos todos os motivos para supor que a decisão de derrubar o avião foi ditada pelo desejo de garantir a segurança das vias de fornecimento de petróleo ao território da Turquia”, disse Putin em entrevista coletiva ao término da Cúpula do Clima em Paris.

Putin ressaltou que a Rússia recebeu “novos dados que confirmam, infelizmente, que das zonas de extração controladas pelo EI e outras organizações terroristas o petróleo chega em grandes quantidades, em quantidades industriais, ao território turco”. “E a defesa dos turcomanos é apenas uma desculpa”, acrescentou Putin, em relação com essa minoria síria que Ancara qualifica de “irmãos étnicos” e que a aviação russa teria bombardeado em várias ocasiões, segundo fontes turcas e ocidentais.

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Em resposta, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu renunciar se a acusação de Putin for comprovada. “Não é moral acusar a Turquia de comprar petróleo do EI. Se há documentos, deveriam mostrá-los, que os vejamos. Se for demonstrado, eu não ficarei no cargo. E pergunto ao senhor Putin: O senhor ficará em seu cargo?”, declarou Erdogan à imprensa em Paris.

Na Cúpula do G20 de duas semanas atrás na cidade turca de Antalya – antes, portanto, do incidente com o caça russo -, Putin mostrou imagens de satélite de comboios fretados pelos jihadistas que supostamente transportavam petróleo em direção à Turquia.

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Putin destacou hoje que o incidente do avião russo foi um dos principais temas na capital francesa, onde também se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. “A grande maioria (dos meus colegas) compartilha a tese de que não havia nenhuma necessidade de atacar um caça que não podia se defender e não ameaçava a Turquia”, comentou.

“Ouvimos da parte turca que o presidente não tomou tal decisão, que a decisão foi tomada por outros. Para nós isso não é importante. O importante é que como resultado de uma ação criminosa morreram dois de nossos soldados. Foi um grande erro”, assinalou. Putin lembrou também que há muito tempo Moscou e Ancara têm diferenças na luta contra o terrorismo, em alusão ao fato de que a Turquia supostamente acoberta membros de grupos terroristas do Cáucaso Norte russo.

O presidente russo lamentou a brusca piora das relações com a Turquia, o quinto parceiro comercial da Rússia, contra quem ordenou a imposição de sanções no terreno econômico, comercial, investidor e turístico.

Encontro com Obama – Putin destacou que, em reunião com o presidente americano, os dois abordaram a necessidade de pactuar a lista de organizações terroristas e a de grupos opositores que devem participar da regulação pacífica do conflito na Síria. “Sob meu ponto de vista, acredito que concordamos sobre aonde ir quando falamos da necessidade de uma regulação política. Então devemos trabalhar em uma nova Constituição e em novas eleições”, ressaltou. Obama expressou nesta segunda-feira a Putin suas condolências pelo incidente com o avião, mas também apoiou o direito da Turquia a defender seu território.

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(Com EFE)

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