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Psicólogos acobertaram programa de tortura dos Estados Unidos, conclui relatório

Um documento mantido em sigilo comprova que os profissionais mentiram sobre as técnicas utilizadas nos interrogatórios realizados pelas agências de segurança dos EUA

Por Da Redação 10 jul 2015, 19h38

Um relatório independente examinou o envolvimento de psicólogos americanos e da maior organização de profissionais da área nos Estados Unidos, a Associação Americana de Psicólogos (APA, na sigla em inglês), com o duro programa de interrogatórios instalado pelo governo Bush após o 11 de Setembro. O estudo, conduzido pelo antigo procurador David Hoffman, gerou uma série de questionamentos sobre a colaboração entre os psicólogos e oficiais da CIA e do Pentágono.

Por mais de uma década, a associação dos psicólogos tem mantido um código de ética que proíbe seus mais de 130.000 membros de auxiliar na tortura de detidos, mas permite sua participação em interrogatórios militares e de inteligência. O grupo já rejeitou acusações divulgadas pela mídia de que os profissionais agiam como cúmplices nos procedimentos de tortura, reprimiu médicos que se diziam a favor da tortura e retratou-se como um aliado consistente contra o abuso. No entanto, o volumoso documento, que ainda é mantido erm sigiloso, aparece para comprovar que as antigas acusações contra os psicólogos eram verdadeiras.

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Fontes anônimas com conhecimento do relatório e de suas consequências afirmam que uma onda de demissões e renúncias seguirá a publicação oficial do relatório, que encontrou extensivos vínculos institucionais entre lideranças da APA e os militares da CIA e dos EUA, que facilitavam os interrogatórios abusivos, afirma o jornal The Guardian. Vários funcionários podem ser demitidos, entre eles Stephen Behnke, diretor de ética da Associação Americana de Psicólogos e figura de liderança na reformulação das políticas e diretrizes éticas para a condução de interrogatórios nos Estados Unidos.

Evidências expostas no relatório de Hoffman podem dar início a uma investigação sobre infrações penais cometidas durante os interrogatórios. As descobertas poderiam abrir precedentes para o processo judicial dos envolvidos nos casos de tortura. Caso isso ocorra, quem estaria sob investigação não seriam os militares ou diretores das agências de segurança americanas, mas sim os psicólogos que autorizaram os métodos de interrogação. As fontes ouvidas pelo jornal britânico disseram também que a APA, sabendo que o relatório irá comprometer seus cargos públicos, está negociando a divulgação de um pedido público de desculpas.

(Da redação)

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