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Província argentina usará taxas dos jogos de azar para pagar salários extras

Buenos Aires, 18 jul (EFE).- A província de Buenos Aires, a maior da Argentina, pagará o salário extraordinário aos empregados estaduais com fundos de licença das salas de jogos de azar, após vários protestos de trabalhadores pelos atrasos nos pagamentos, revelaram nesta quarta-feira fontes oficiais.

O governador da província, Daniel Scioli, prorrogou por decreto as licenças de 15 salas de jogos com a intenção de arrecadar 1,5 bilhão de pesos (cerca de R$ 670 milhões), aponta a imprensa local.

Segundo o decreto, divulgado pela agência estadual Télam, o pagamento do salário extraordinário será feito a partir da ‘emissão de bônus de cancelamento de dívidas da província de Buenos Aires’. A expectativa é que a arrecadação de fundos seja superior ao previsto, pela prorrogação até 2021 da concessão de salas de jogo.

A arrecadação extra visa aliviar a grave crise financeira que atravessa a província, em meio as reivindicações da administração local para que o Governo do país aumente o giro de receita por co-participação de impostos.

Os problemas financeiros de Buenos Aires crescem em meio ao distanciamento político de Scioli com a presidente argentina, Cristina Kirchner, ambos ligados às fileiras peronistas.

O governador admitiu no início do mês que não poderia desembolsar a totalidade do Salário Anual Complementar que deve ser pago aos servidores estaduais e anunciou que dividiria o pagamento em quatro cotas, mas a justiça o obrigou a voltar atrás nesta medida.

O Governo de Scioli resolveu dividir o pagamento do bônus depois que foram enviados 1 milhão de pesos (pouco mais de R$ 446 milhões) para a província, pouco mais de um terço do valor solicitado para quitar os vencimentos de junho e o salário complementar aos 550 mil servidores estaduais.

Setores da oposição têm denunciado que o Governo de Cristina Kirchner destina a maior parte dos fundos de co-participação de impostos às províncias aliadas.

Scioli garantiu que o pagamento do bônus será feito até 15 de agosto, mas representantes sindicais exigiram que a data seja adiantada. Professores, médicos, funcionários da justiça e administração pública já realizaram greves e manifestações cobrando a antecipação do pagamento.

A política fiscal argentina deixa nas mãos do Governo do país a arrecadação de impostos e a posterior devolução de uma parte as províncias. EFE