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Protestos policiais fazem França recuar sobre proibição a estrangulamento

Governo havia anunciado o banimento do método que matou George Floyd nos EUA, mas voltou atrás diante da reação de sindicatos policiais

Por Da Redação - 16 jun 2020, 15h21

O governo da França decidiu suspender os planos de proibir o uso do método de estrangulamento durante detenções, após pressão de sindicatos policiais. O banimento havia sido anunciado na esteira dos protestos antirracismo que se espalharam em várias cidades do mundo depois da morte de George Floyd, um ex-segurança negro que foi asfixiado por um policial branco, em 25 de maio, em Minneapolis, nos Estados Unidos.

Além do caso de Floyd, milhares de franceses foram as ruas para lembrar a morte de Adama Traoré, um jovem negro de 24 anos, que passeava com seu irmão no subúrbio de Beaumont-sur-Oise, em Paris, em julho de 2016, quando foi detido pela polícia. Relatórios oficiais disseram que ele morreu de insuficiência cardíaca, mas uma autópsia solicitada pela família de Traoré sugeriu que foram ações violentas da polícia que causaram o óbito.

Nas últimas semanas, dezenas de milhares de manifestantes exibiram cartazes com os nomes de Floyd e Traoré, acusando a polícia de utilizar brutalidade contra minorias. As manifestações levaram o ministro do Interior, Christophe Castaner, a anunciar que haveria “tolerância zero” ao racismo na aplicação da lei e a proibição do método de estrangulamento – no qual a pressão é aplicada no pescoço de um suspeito, justamente como fez Derek Chauvin, o policial preso acusado de assassinar George Floyd.

Insatisfeitos com a posição do governo, membros da polícia francesa organizaram suas próprias manifestações durante cinco dias. Alguns se reuniram nas em frente ao Arco do Triunfo, um dos principais cartões postais da capital, e chegaram a jogar suas algemas no chão.

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Na segunda-feira, o diretor de polícia nacional Frédéric Veaux enviou uma carta aos funcionários para colocar panos quentes nos anúncios feitos pelo ministro do Interior. Segundo ele, a medida não seria mais ensinada em escolas de treinamento, mas poderia ser usada “com discernimento”.

A carta confirmou que um grupo de trabalho seria criado para investigar medidas alternativas para conter os suspeitos e apresentaria um relatório em 1º de setembro. O governo francês, no entanto, segue com a promessa de tomar medidas para evitar o excesso de violência nas detenções, como a instalação de câmeras no corpo dos policiais.

Derek Chauvin durante a abordagem que resultou na morte de George Floyd //Reprodução
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