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Protestos eclodem na Itália após polícia matar imigrante em cena que lembrou George Floyd

Vídeo parece mostrar o marroquino Abderrahim Fakir, 42, sendo asfixiado; Confrontos entre manifestantes e policiais deixam dezenas de feridos

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 11h25 | Atualizado em 21 jul 2026, 11h26
Protestos eclodem na Itália após polícia matar imigrante em cena que lembrou George Floyd Priorizar nos meus resultados Google

A cidade italiana de Bolonha foi tomada, na noite de segunda-feira 20, por protestos que terminaram em confrontos com agentes de segurança. Os atos foram motivados pela morte, no dia anterior, de um homem de origem marroquina nas mãos da polícia da Itália, que pintaram uma cena grotesca muito semelhante à do assassinato de George Floyd, um homem negro, por policiais brancos nos Estados Unidos, em 2020.

O imigrante Abderrahim Fakir, 42 anos, vivia na Itália desde os cinco anos de idade e administrava uma pequena empresa de mudanças e limpeza. No domingo 19, ele foi abordado pelas autoridades devido ao que foi descrito, na versão oficial, como um “surto psiquiátrico”. Os policiais afirmaram que tentaram acalmar Fakir e ligaram para os serviços de emergência, mas depois usaram spray de pimenta e o imobilizaram enquanto tentavam algemá-lo.

Um vídeo que circula nas redes sociais, que foi amplamente divulgado na mídia italiana, mostra dois policiais sentados sobre as pernas e o tronco de Fakir, enquanto socorristas observam a cena. É possível ouvir o marroquino gritando repetidamente “aiuto, aiuto, basta” (socorro, socorro, chega). As imagens são fortes.

Em dado momento, o homem para de se mover. Os policiais, então, amarram seus tornozelos e só depois verificam seus sinais vitais junto com os socorristas.

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De acordo com sua família, Fakir sofria de problemas cardíacos e asma. “Não se pode morrer assim”, disse sua irmã, Khadija, ao jornal italiano Corriere della Sera. “A polícia tem que nos proteger. Se alguém está agitado, é preciso acalmá-lo… não matá-lo como a um cachorro.”

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O Ministério Público abriu uma investigação e solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais. Defensores dos direitos humanos e partidos de oposição italianos exigiram respostas urgentes.

George Floyd

Na noite de segunda-feira, manifestantes marcharam segurando fotos de Fakir, sob o slogan de “polícia assassina”, e lançaram fogos de artifício perto de delegacias. Os agentes reagiram utilizando gás lacrimogêneo e jatos d’água.

O incidente foi imediatamente comparado ao assassinato de George Floyd. Na cidade americana de Minneapolis, no dia 25 de maio de 2020, o homem foi estrangulado pelo policial Derek Chauvin, que ajoelhou em seu pescoço durante uma abordagem por supostamente usar uma nota falsificada de vinte dólares em um supermercado. Aquele foi o estopim para uma onda de protestos que tomou conta dos Estados Unidos em plena pandemia, e reacendeu o movimento Black Lives Matter.

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O COMEÇO - Policial asfixia George Floyd com o joelho: em plena pandemia, a morte bárbara reacendeu o movimento Black Lives Matter -
Policial asfixia George Floyd com o joelho, morte bárbara que reacendeu o movimento Black Lives Matter – (Darnella Frazier/Facebook)

Também houve paralelos com o modus operandi do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, que voltou aos holofotes nas últimas semanas devido à morte de dois latinos durante operações para prender estrangeiros em situação irregular no Texas e no Maine. “Se a direita quer importar o modelo do ICE, este é o país errado para isso. Nós temos anticorpos democráticos”, disparou Francesco Boccia, líder no Senado do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.

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No entanto, o ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, refutou: “Quem faz comentários ofensivos contra a polícia demonstra não ter confiança em nossas forças de segurança nem em nosso sistema judiciário e deveria se informar sobre o que aconteceu.”

Tommaso Foti, ministro de Assuntos Europeus, também disse que os gritos de “policiais assassinos” entoados durante a manifestação em Bolonha “são vergonhosos”.

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O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, de extrema direita, também defendeu a polícia, enquanto Galeazzo Bignami, líder do partido Irmãos da Itália — da primeira-ministra Giorgia Meloni — na Câmara dos Deputados, elogiou a “conduta profissional” dos agentes.

Ilaria Cucchi, senadora italiana cujo irmão morreu sob custódia policial em 2009, disse à agência de notícias AFP sentir repugnância pela “solidariedade e pelos agradecimentos” dirigidos à polícia após um ato tão “desumano”.

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