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Protestos diários pedem liberdade a mais de 100 jornalistas presos na Turquia

Por Da Redação - 10 jun 2012, 23h10

Dogan Tiliç.

Ancara, 10 jun (EFE).- Cerca de 40 pessoas se concentram diariamente neste mês em frente ao Palácio de Justiça de Çaglayan, em Istambul, para reivindicar a libertação de mais de cem jornalistas detidos por seu trabalho na Turquia.

As manifestações são protagonizadas por colegas de profissão, amigos e parentes dos presos. A campanha denominada ‘Dias de Testemunho’ começou no último dia 6 e se prolongará até 28 de junho, com o apoio da Plataforma pela Liberdade de Jornalistas (GÖP, na sigla em turco), organização que reúne 98 associações de imprensa da Turquia.

‘Nossos colegas foram presos e estão sendo julgados sob a acusação de cometer atividades terroristas. Alguns representantes do governo, como o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, os acusaram inclusive de estupradores’, diz à Agência Efe o ativista Ercan Ipekci, presidente da União Turca de Jornalistas (IGS) e porta-voz da GÖP.

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Desde 2009, a GÖP organizou numerosas campanhas em escala nacional e internacional para contestar a detenção de profissionais da imprensa na Turquia, que se transformou no país com o maior número de jornalistas presos, à frente inclusive de China e Irã.

A campanha ‘Dias de Testemunho’ foi lançada após polêmicas declarações de altos funcionários do governo turco, que disseram não haver jornalistas presos no país, mas que os presos seriam todos ‘assassinos, ladrões ou terroristas’.

‘Mas nós somos testemunhas de suas atividades jornalísticas’, ressalta Ipekci. ‘Hoje, há 102 jornalistas atrás das grades; 15 deles foram condenados e os outros 87 estão sendo julgados. Este número não inclui outros tipos de funcionários de imprensa presos. Quando acrescentados, o número de trabalhadores de meios de comunicação presos supera 200’.

‘A este número se acrescentam os estudantes universitários, escritores, acadêmicos e ativistas de direitos humanos que estão na prisão por expressar opiniões contrárias às do governo’, lembra o jornalista.

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O panorama é ainda mais sombrio quando se leva em conta que, desde 2009, outros 70 jornalistas passaram algum tempo atrás das grades antes de serem postos em liberdade provisória, mas aguardam julgamento. Ao todo, 180 jornalistas passaram pela prisão nos últimos três anos, e 22 dos atuais presos são mulheres.

‘Quero dedicar este prêmio a minha amiga Zeynep Kuray, correspondente do jornal ‘BirGün’, que foi detida em dezembro de 2011. No ano passado, muitos de nossos melhores amigos foram levados’, declarou Ismail Yilmaz, repórter do jornal ‘Radikal’, ao receber nesta semana o Prêmio à Liberdade de Expressão, outorgado pela União de Editores da Turquia.

Pouco antes, Kuray tinha enviado uma carta a BirGün na qual disse que todos os crimes dos quais é acusada são relacionados a conversas telefônicas entre ela e seus chefes ou fontes.

‘O que mais nos dói é o silêncio da maioria dos meios de comunicação sobre esta criminalização tão evidente do trabalho jornalístico’, lamenta o repórter.

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Desde 2005, as associações de imprensa da Turquia advertem que o código penal turco contém 27 artigos que permitem prender pessoas por suas opiniões. As entidades pedem a abolição de alguns artigos da lei antiterrorista, uma das responsáveis pela maioria das prisões de jornalistas.

‘Inclusive temos realizado campanhas para pedir que estes artigos sejam modificados ou que novas penitenciárias sejam construídas, porque as existentes atualmente não serão suficientes para acolher todos os repórteres’, diz Ipekci.

O tempo lhes deu a razão: se no início de 2009 havia 29 jornalistas atrás das grades, no final daquele ano já eram 41. Em 2010, o número subiu para 58, em 2011 alcançou 97 e, no dia 5 de junho passado, foi lançada a campanha ‘Dias de Testemunho’, esse número já era de 102.

O ativista destaca ainda que cerca de cem repórteres já foram julgados e condenados, mas suas penas foram suspensas, e agora terão de cumpri-las caso nos próximos cinco anos cometam outro ‘crime’ similar.

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‘Imagine a que tipo de autocensura leva esta situação’, alerta o porta-voz da GÖP. Segundo ele, há processos contra outros 250 jornalistas, e, quando se somam todos os afetados por este tipo de casos judiciais, os números impressionam: até 600 jornalistas poderiam perder a liberdade que lhes resta. EFE

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