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Protestos das mulheres no Afeganistão: unidas contra o retorno da burca

Elas reivindicaram acesso à educação, liberdade profissional e a possibilidade de ir e vir sem ter um parente homem ao lado

Por Caio Saad Atualizado em 10 set 2021, 15h21 - Publicado em 11 set 2021, 08h00

Aproveitando a fresta aberta pelas reiteradas sugestões de que o Talibã que tomou o poder no Afeganistão em agosto é menos radical do que o que foi removido do governo em 2001 e estaria até disposto a incluir mulheres na vida pública (desde que “respeitadas as leis islâmicas”), corajosas afegãs foram às ruas de Cabul e de outras cidades. De cabeça coberta, sim, mas com o rosto à mostra e roupas coloridas, uma imagem distante da obrigatória burca de antigamente, elas reivindicaram acesso à educação, liberdade profissional e a possibilidade de ir e vir sem ter um parente homem ao lado. O resultado não foi dos mais animadores. Militantes armados dispersaram as manifestações, como todas as ensaiadas desde que os Estados Unidos encerraram duas décadas de presença no país, na base de intimidações e tiros para o alto. Em paralelo, o Talibã anunciou a primeira formação de governo, sem uma única mulher e com profusão de mulás do passado, alguns com a cabeça a prêmio no exterior. Para piorar, as afegãs foram “aconselhadas” a ficar em casa porque os radicais ainda não foram “treinados” para respeitá-las. E, reforçando o domínio dos barbudos, a equipe nacional feminina de críquete simplesmente deixou de existir. “O Islã e o Emirado Islâmico não permitem que mulheres joguem críquete ou qualquer esporte em que fiquem expostas”, decretou o vice-ministro da Cultura, Ahmadullah Wasiq. O pesadelo da volta da barbárie segue assombrando aquele pedaço do planeta.

Publicado em VEJA de 15 de setembro de 2021, edição nº 2755

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